Jornal dos Desportos

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Opinio

Novos tempos

27 de Dezembro, 2018
Vezes sem conta, com a cabeça às voltas, tentamos perceber se a fraca vitalidade dos nossos desportos mais representativos, estará relacionada à mudanças dos tempos, à recessão económica galopante do país, ou à argúcia dos seus gestores.
À partida, o tema é discutível. Alguém, pode ver na recessão económica, o leit-motiv. Outro, incapaz de tergiversar, pode associar o mau momento de algumas modalidades, à falta de diligência dos seus gestores.
Na verdade, a falar só de futebol, basquetebol e andebol, por que o espaço não dá sequer margem de manobra para se estender mais além, as coisas mudaram de figura num estalar de dedos, com prestações competitivas muito aquém do que se podia augurar de um país pacificado.
O desporto-rei conheceu o boom, na gestão de Armando Machado, com a entrada em Campeonatos Africanos das Nações, em 1996, tentou com Justino Fernandes manter a áurea. Porém, Pedro Neto que por sinal ficou catalogado como vencedor, enquanto presidente directivo do 1º de Agosto, a prestação e os resultados revelavam alguma timidez.
Artur de Almeida e pares procuram devolver o futebol e pô-lo nos carris, mas a empreitada não é fácil. É longo, o cortejo de dificuldades, enorme o receio de fracasso. Os tempos são, realmente, outros. Do ponto de vista competitivo, se o Girabola regrediu, a nível da Selecção A, nota-se haver alguma evolução. Vamos lá ver, se consegue a tão ansiada qualificação ao CAN\'2019
Na bola ao cesto, se a passagem de testemunho de Carlos Teixeira \"Cagi\", para Pires Ferreira e deste para Gustavo da Conceição foi pacifica, marcada por uma boa política na continuidade, o mesmo não se pode dizer do actual presidente do COA, Paulo Madeira. Foi, precisamente no consulado deste, que as fundações do sólido edifício do nosso basquetebol começaram a ruir.
Em 2011, de Antananarivo veio o primeiro sinal, de dias pouco bonançosos. Claro, que o jovem dirigente não engoliu a desfeita, foi à luta, na edição seguinte na Costa do Marfim deu a volta por cima, que acabou por ser o último dos 11 títulos que Angola tem no palmarés. Na actual direcção, parece \"preto no branco\" que o reinado chegou ao fim, em obediência à lógica de que tudo que tem começo, encontra um fim.
Quem manteve firmeza e vitalidade, foi, indubitavelmente, o andebol. O segredo esteve sempre na coesão da equipa de gestão. O actual presidente de direcção, Pedro Godinho, é alguém que cresceu na casa, galgou a escada da hierarquia, degrau em degrau, até chegar ao topo. É empreendedor e visionário.
Agora, de sua viva voz veio a público, anunciar o abandono, depois dos Jogos Olímpicos de 2020, começam a pairar receios de uma outra modalidade super-ganhadora conhecer o colapso, ou ter o destino das que caíram na esterilidade.


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