Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Nuances do defeso

04 de Dezembro, 2014
Terminado o Girabola e disputada a final da Taça de Angola deu-se por encerrada a época futebolística 2014. As equipas, atletas, técnicos, árbitros, dirigentes e outros actores do espectáculo entraram de férias. Estamos no chamado defeso, que quando muito prologando acaba por ser incomodativo.

Aliás, em regra, quando se faz uma avaliação do período temporal que intermedeia o fim de um campeonato e o arranque de outro, surgem especulações de vária ordem, há mesmo quem considere esse período demasiado longo, sobretudo porque de permeio não há um torneio que minimize o impacto do defeso.

O Girabola’2014 terminou no passado dia 4 de Novembro, ao que consta apenas regressa em Fevereiro. São cerca de três meses sem futebol. Com Angola ausente do CAN'2015 pode não haver motivos para recear uma possível dilatação das férias e a prova começar em Março. Mas ainda assim, Fevereiro também não se vislumbra próximo.

Talvez seja importante que nos próximos anos se defendam outros moldes de rentabilização das equipas, após o termo do Campeonato, embora saibamos que os jogadores também merecem um período de férias, já que não deixam de ser trabalhadores como tantos outros, engajados em actividades diferentes.

Na verdade, a ausência de competição incomoda aqueles que se assumem amantes do futebol, que no decurso de cada semana aguardam com redobrada ansiedade o sábado e domingo, para povoarem os estádios, saciarem a sede de espectáculo futebolístico e voltarem para casa eufóricos, com relatos sobre a defesa espectacular do guarda-redes tal, do golo genial de beltrano e ou do penálti falhado por sicrano.

Se o futebol tivesse a mesma vitalidade em todo o país, talvez se pudesse propor a criação de ligas provinciais, integrando de forma facultativa equipas da primeira divisão e de outros escalões. Mas para a nossa realidade isso só pode ser possível na capital do país, onde se concentram o desenvolvimento futebolístico e o maior número de formações. Nas demais, onde as equipas praticantes contam-se pelos dedos de uma só mão, tal não é possível.

Convirá compreender que quando se fala em defeso, não se põe em causa apenas a necessidade de recrear o público consumidor do espectáculo futebolístico, mas também a de rodar as próprias equipas, sobretudo as do primeiro escalão, pois a falta de rotina também acaba por não ser benéfica, tanto às equipas quanto aos próprios jogadores.

Aqui chegados, pensamos que a solução para o defeso passa pelos próprios clubes que não estão organizados de forma a desenvolver estratégias alternativas. Os gestores da maioria das nossas agremiações desportivas ainda não perceberam que estas férias prolongadas acarretam prejuízos económicos avultados, se atendermos que embora parados, os jogadores que não são poucos têm à mesma, direito aos seus ordenados mensais. Será benéfico pagar a trabalhadores que nada fazem durante meses?

A pausa prolongada causa preocupação não só aos adeptos, mas também aos técnicos, devido ao longo período de inactividade dos jogadores, que por vezes regressam com peso a mais. Para os jogadores essa situação pode parecer benéfica. Pois não há quem não goste de ganhar dinheiro a dormir. Porém, acabam por ser prejudicados com a perda da forma física.

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