Jornal dos Desportos

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Opinio

O adeus prematuro

04 de Julho, 2019
Tal como ocorreu em cinco das anteriores sete edições que participou, Angola volta a dizer adeus, de forma prematura, a uma fase final da Taça de África das Nações em futebol. E tudo porque faltou crença e, acima de tudo, vontade de suplantar o Mali, adversário da última jornada do Grupo E da fase preliminar e com quem perdeu por 0-1.
Em três jogos realizados nesta fase inicial do Campeonato Africano das Nações a Selecção Nacional não conseguiu mais do que dois pontos, fruto de igual cifra de empates e a já referenciada derrota.
Portanto, um escasso ponto, era o quanto bastava, na derradeira jornada do Grupo E, para que Angola transpusesse, pela terceira vez no seu historial, a barreira da primeira fase, depois de atingir esses objectivos nas edições de 2008 e de 2010.
No CAN de 2008, no Ghana, os Palancas Negras atingiram, pela primeira vez, os quartos-de-final, voltando a repetir a proeza dois anos depois, na prova organizada no país. Nesta 32ª edição da maior montra do futebol africano, que o Egipto acolhe desde 21 de Junho último e que se prolonga até dia 19 do mês em curso, esperava-se uma atitude mais ousada do conjunto. Inicialmente, traçou-se como meta chegar o mais longe possível. Isso implicava, em primeira instância, chegar à outra fase.
Não obstante, nessa edição a primeira barreira da fase subsequente corresponder apenas aos oitavos-de-final, dado o aumento de dezasseis para 24 selecções, ainda assim era crível que o combinado angolano pudesse garantir esse objectivo.
Os Palancas tiveram tudo a sua mercê, para lograrem o passe para os “oitavos”, já que, por força da presença de 24 selecções, passariam para esta etapa os dois primeiros de cada um dos seis grupos e mais os quatro melhores terceiros classificados do geral. Angola, por incrível que pareça, foi o pior terceiro classificado. Somou apenas os já referenciados dois pontos, contra três do Quénia (no Grupo C), que viu os seus intentos de chegar à outra fase gorados pelo saldo negativo de dois golos.
A África do Sul, igualmente com três pontos (no Grupo D) e não obstante o saldo também negativo - mas apenas de um golo -, a par da República de Democrática do Congo (que esteve no A) e do Benin (F), que atingiram a mesma cifra, garantiram a qualificação para os oitavos-de-final. Entre os quatros terceiros melhores do geral ficou, ainda, a Guiné-Conacry, por sinal a única selecção que chegou ao quatro pontos.
E voltando a transcorrer no leito do que foi a prestação dos Palancas neste CAN, salta ainda à vista o facto da ineficácia ofensiva evidenciada ao cabo dos três jogos, que fez com que se deitasse por terra as chances de chegarem à outra fase.
Angola paga caro a factura pela falta de ousadia e vontade de vencer. Por isso, o afastamento prematuro desta fase final do CAN é um castigo (bem) merecido. E mais ainda: a derrocada dos Palancas começou com a preparação pouco convincente, em que efectuou apenas um único teste com a Guiné-Bissau, assim como os vários problemas que afectaram o conjunto na antecâmara deste torneio, sobretudo no concernente a desonra em relação aos prémios de jogos e subsídios diários para atletas, membros da equipa técnica e outros intervenientes do grupo de trabalho.

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