Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O apelo da ministra

28 de Maio, 2018
O apelo feito sábado último, no Kwanza-Norte, pela ministra da Juventude e Desporto, para a necessidade de se preservarem os recintos desportivos existentes, não deve se resumir aos agentes desportivos e actores sociais daquela província. A chamada de atenção de Ana Paula Sacramento deve despertar a atenção de todos quantos no nosso país lidam com a vida desportiva.
Na verdade, tem havido nos últimos tempos muito descuido com as infra-estruturas desportivas no país, atingindo a situação contornos preocupantes que despertam a atenção até de quem seja assumidamente leigo em matéria desportiva. Afinal a excepção da pesca e do paraquedismo não há modalidade alguma que se desenvolva na ausência de recinto apropriado.
Mesmo que o objectivo não seja competir ao mais alto nível, o desporto, enquanto actividade social, acaba por ser sempre necessário para qualquer comunidade. Por aí, agredir ou vandalizar os recintos da sua praticabilidade é no mínimo revelar-se avesso a actividade desportiva, avesso a uma condição de vida sadia.
Mais do que isso, também será tirar valor a algo construído com capital público, e que deve merecer o cuidado dos utentes. Também é sabido que muitas vezes a deterioração não resulta de actos de vandalismo que sejam protagonizados por populares, mas de políticas de gestão muito mal concebidas. Toda obra humana quando não beneficia da competente manutenção dura menos tempo.
Aliás, exemplos disto avultam pelo país, sendo o caso mais bizarro de alguns pavilhões multiuso, construídos em diferentes cidades para o último Afrobasket que Angola recebeu, em 2007, passando-se o mesmo com dois estádios dos quatro construídos para o Campeonato Africano das Nações de futebol em 2010.
Sendo, no caso dos estádios, infra-estruturas apetrechadas com espaços para outros serviços extra-desportos não se percebe, realmente, por que razão se chega a este estágio. Pois, só as receitas arrecadadas com o arrendamento destes espaços chegam e sobrar para a sua manutenção, em especial a rega e tratamento da relva, que é o seu elemento fundamental.
A problemática do abandono e degradação de recintos desportivos deve chamar a atenção do pelouro desportivo, de modo que se possam encontrar soluções pontuais da mesma, nem que para tanto, e sobre concurso público, se decida pela sua privatização. Pela forma determinada como nos entregamos à sua construção, deixando-os no estado em que se encontram corremos o risco de sermos tomados por outros países como brincalhões.

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