Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O calvrio do Cala

27 de Março, 2015
O Recreativo da Caála, único representante da província do Huambo na fina flor do futebol nacional, vive um momento atípico. Uma sina que, infelizmente, se arrasta desde que ascendeu à maior prova do calendário da Federação Angolana de Futebol.

Despedir treinadores não é novidade na equipa dirigida por Horácio Mosquito. Jorge Paixão (2009), Rui Gregório (2010), Vitor Manuel (2011), Luís Aires (2012), Ricardo Formosinho (2013), Vaz Pinto (2014) formam o leque de treinadores despedidos ao longo dos últimos anos.

Esta temporada a equipa do planalto central vai já no terceiro técnico, quando estão disputadas apenas seis jornadas. Depois de apenas um jogo sob seu comando, Bernardino Pedroto, contratado no final de 2014, demitiu-se do comando técnico da equipa. Razões de ordem familiar estão na origem do término do vínculo contratual do técnico.

O até então adjunto de Pedroto, João Arsénio "Túbia", foi promovido a técnico principal. Como prevíamos, a saída de Pedroto ia trazer muitos embaraços aos propósitos traçados pela direcção do clube, porque o actual plantel gira muito em torno daquilo que foi projectado pelo técnico luso. Não estávamos enganados.

Cinco jornadas depois "Túbia" também recebeu a guia de marcha.
Foi despedido, fruto dos cinco empates somados nas última cinco jornadas. Para o seu lugar foi promovido um outro adjunto, Hélder Teixeira. Aliás, "Túbia" não foi o único a receber a guia de despedimento. Pedro Pereira, também um ex-adjunto, e António Luís Monteiro, director-geral do clube, seguiram o mesmo caminho.
O último, segundo se diz, por motivos particulares.

A saída de João Arsénio "Túbia" do comando técnico do Recreativo da Caála há muito era anunciada, uma vez que após o terceiro empate da equipa no campeonato, a direcção do clube manifestou tal intenção, caso a equipa não conseguisse uma vitória, o que aconteceu,
nos jogos subsequentes.

Este clima não ajuda em nada. Mudar constantemente de treinador nem sempre é a solução mais acertada. Desestabiliza o plantel, contribuindo para que as metas traçadas no início da temporada
não sejam concretizadas.

O Recreativo da Caála ocupa a décima terceira posição na tabela classificativa, com seis pontos de igual número de empates. Três em casa e igual número fora de casa. Um resultado modesto para quem traçou como meta ficar entre os cinco primeiros classificados
no final do campeonato.

Pelo andar da carruagem estamos convictos de que o número de técnicos despedidos não fica por aqui. As próximas jornadas são determinantes para Hélder Teixeira. Serão necessárias, no mínimo, duas vitórias para estabilizar a equipa e para melhorar o aspecto psicológico dos jogadores. Caso contrário segue o caminho dos demitidos.

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