Jornal dos Desportos

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Opinio

O caso City Jardim

10 de Fevereiro, 2020
Não faz sentido algum a polémica, se é que assim se pode considerar, que se verifica entre o responsável da equipa de futebol City Jardim e do governo provincial do Cuanza - Norte. Há muito, que os governos províncias deixaram claro, que não têm compromisso com o desporto. Ou seja, não têm obrigação de apoiar esta, ou aqueloutra equipa, provinciana.
Quando o 1º de Maio de Benguela, numa certa edição do Girabola, se confrontava com algumas limitações financeiras, para fazer face às suas obrigações competitivas, o malogrado Dumilde Rangel, à época, governador de Benguela, não teve papas na língua e disse mesmo que do orçamento do seu governo, não ia sair um chavo, para a equipa da rua Domingos do Ó.
Em Malanje, no umbral dos anos 2000, o empresário Laurentino Abel Martins viu-se obrigado a extinguir o seu Cambondo, porque não encontrou suporte do governo provincial. E, aconteceram outras situações, em outras províncias, que não interessa chamar para esta abordagem. Portanto, criar equipas de futebol a contar com os governos provinciais, é uma acção descabida.
É verdade, que a presença de uma província, no campeonato nacional da primeira divisão , é dignificante. Prestigia e beneficia o sector empresarial local, sendo que os restaurantes, hotéis e outros serviços podem ter mais procura. Mas não compete, aos governos provinciais, suportar os encargos de equipas. Este compromisso não está previsto no seu orçamento.
O dirigente do City Jardim pode ter interpretado mal as palavras do governador Adriano Mendes de Carvalho. Se em um ou em dois momentos, este prometeu apoiar a equipa, pode ser na perspectiva, por exemplo, de oferecer um par de equipamento, o que já é louvável. Mas não disponibilizar uma verba ou um autocarro.
Ainda que se predisponha a oferecer o solicitado autocarro, será na mesma uma gota de água no oceano, se o compromisso for chegar ao Girabola, que é uma competição extremamente exigente, em termos financeiros e materiais. Já é hora das pessoas perceberem que o Girabola é um desafio, que não está ao alcance de todos.
O recente afastamento do 1º de Maio de Benguela, que desajustou o número de equipas no campeonato, podia muito bem servir de exemplo, aqueles que de forma aventureira, pensam que militar no Girabola é algo fácil. Aliás, há quem acha que a FAF deve ser mais exigente com as equipas que se apuram para o campeonato, devendo estas darem provas de que financeiramente são capazes.
De todo o modo, não se reprova a iniciativa do jovem responsável do City Jardim. É de gente com visão empreendedora, que a sociedade precisa. Porém, em vez de contar com o governo provincial, saía melhor na fotografia, se trabalhasse com o sector empresarial local. Isto é, encontrar patrocinadores que possam colocar, por exemplo, a sua marca no uniforme da equipa, numa espécie de troca de serviços.

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