Jornal dos Desportos

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Opinio

O divrcio anunciado

22 de Agosto, 2019
Não faz ainda muito tempo do anúncio do divórcio, entre o órgão reitor do futebol nacional e o então seleccionador nacional de honras, o sérvio Srdjan Vasiljevic, que ontem deixou o país. Na verdade é um desenlace que já se previa, a julgar pela onda descontentamento reinante no seio dos Palancas Negras nos últimos tempos.
Agora paira no ar uma série de inquietações. Uma dessas prende-se, efectivamente, com o pouco tempo de trabalho que terá o seu sucessor, o português Pedro Gonçalves, que também dirige os destinos da Selecção Nacional de Sub-17, que projecta a sua campanha no Mundial da categoria, de 26 de Outubro e a 17 de Novembro deste ano no Brasil. Pedro Gonçalves tem, assim, a árdua tarefa de orientar a equipa nacional na primeira “mão” da pré-eliminatória de acesso a fase de grupos de apuramento rumo ao Mundial de 2022, no Qatar.
Para essa empreitada, que acontece dentro de aproximadamente três anos, Angola enfrenta a Gâmbia a 6 de Setembro, em Banjul. É um jogo de carácter crucial para os Palancas, que estão proibidos de falhar se quiserem alcançar o seu primeiro objectivo, que passa em primeira instância pela qualificação à próxima etapa. Por isso, a tarefa é colossal e o jogo de “vida ou morte”.
A Selecção Nacional precisa resgatar a sua mística para, efectivamente, reactivar a afinidade com os seus adeptos, ávidos de verem o conjunto reencontrar os caminhos do êxito, depois dos fracassos que vem coleccionando. O primeiro deste foi, precisamente, aquando da realização do Campeonato Africano das Nações (CAN) deste ano, em que Angola não foi além da fase de grupos, e que fontes federativos alegam ter havido sabotagem por parte de integrantes da equipa técnica liderada por Srdjan Vasiljevic. Durante a sua campanha, Angola não conseguiu evitar a terceira posição com dois pontos, fruto de dois empates, um a um tento com a Tunísia e outro nulo com a Mauritânia, bem assim como derrota de 0-1 frente ao Mali. Por arrasto, os Palancas foram os piores terceiros classificados dos seis grupos da prova o Egipto acolheu entre 21 de Junho e 19 Julho. Depois de hipotecar a sua sorte neste CAN, o combinado nacional voltou ainda a desperdiçar a oportunidade de entrar para as eliminatórias de acesso ao CHAN do próximo ano, que terá como palco os Camarões.
E tudo pelo fraco desempenho que teve diante da congénere da eSwatini (ex-Reino da Swazilândia) no jogo da preliminar, em que empatou curiosamente em Mbabane e em Luanda a um tento, vindo depois a cair aos pés deste adversário na lotaria das grandes penalidade, em que perdeu por 4-5. O técnico sérvio recusou orientar o conjunto no jogo da preliminar desta montra do futebol africano reservada apenas para atletas que actuam nas provas internas dos respectivos países. O afastamento foi um descalabro total. Não só pelo facto de a eSwatini ser uma adversário de quilate inferior, mas sobretudo pela onda de descontentamento que se assinalava no seio da equipa técnica dos Palancas e dos jogadores, por algumas desonras da Federação Angolana de Futebol (FAF), liderada por Artur de Almeida e Silva. Ao que tudo indica este mau clima originou o rompimento do contrato com sérvio Srdjan Vasiljevic, que, diga-se de passagem, até estava a realizar um bom trabalho.

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