Jornal dos Desportos

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Opinio

O divrcio com Bianchi

30 de Março, 2019
Há mais de três épocas a frente dos destinos da equipa principal de futebol do Petro Luanda, Beto Bianchi acaba de sair pela porta pequena do emblema tricolor, pese embora, algumas opiniões e vozes discordantes a esse respeito.É verdade que o técnico hispano -brasileiro dirigiu a formação do “Eixo-Viário” durante 39 meses, obteve um pecúlio de 65 vitórias, 24 empates e 16 derrotas na maior prova do futebol nacional, revolucionou o futebol do Petro.
É verdade, também, que aquando da contratação de Beto Bianchi, a direcção do clube prometeu que o casamento selado com o técnico hispano -brasileiro, visava, sobretudo, um trabalho para o relançamento do conjunto na alta-roda do futebol nacional.E, apesar de nas duas épocas em que assumiu o conjunto, o título do Girabola Zap já escapa das suas hostes há mais de dez anos, não foi posto na ordem de prioridades, a verdade, porém, é que a sua grandeza e dimensão não o justificam.

O Petro detém, nada mais, nada menos, do que 15 títulos, facto que “de persi” torna-o maior “papão” do futebol nacional, além de outros tantos troféus que colecciona a nível da Taça de Angola, a segunda maior competição do nosso mosaico “association”.Nas últimas três época do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, o Petro viu o rival, 1º de Agosto, aproximar-se da sua conta, facto que inquieta a massa associativa, pois, não faz muito tempo que a diferença era de seis títulos.
Hoje, fruto das conquistas, o 1º de Agosto reduziu a cifra que opunha ao do emblema “Eixo-Viária”, para uma diferença de três troféus, vai daí, a luta renhida entre ambos nestas últimas épocas. A rivalidade acentua-se, ano após ano.Por isso mesmo, cremos que o anunciado divórcio entre a direcção do Petro e o técnico Beto Bianchi, por questões de segurança, como revelou Tomás Faria, é pura conversa – como se soe dizer – para boi dormir.
E, se é que as alegadas ameaças (incluindo as de morte), por parte de adeptos do conjunto ao técnico, apontadas como cruciais para pôr fim ao casamento, acabam por não “colher ”, aos olhos de quem, efectivamente, quer enxergar o que se afigura como perfil de uma equipa com a grandeza do Petro. Várias são as opiniões, que apontam este como um argumento esfarrapado, para escudar os fracassos que o técnico obteve.
Se ao cabo da primeira e segunda épocas, o título não foi exigido a Beto Bianchi, na terceira os adeptos esperavam resultados mais animadores, e no caso concreto, à conquista do Girabola. Convém, ainda, admitir, que o fracasso da equipa na fase de grupos da Taça da Confederação, pode ter contribuído para esse “pré - dito divórcio”.
Quando se esperava por uma campanha ousada, nesta segunda maior prova de clubes da Confederação Africana de Futebol (CAF), isto depois da Liga dos Campeões, num ápice o Petro viu o sonho de chegar aos quartos de final da prova ofuscado, pela fraca prestação no Grupo D, em que perfilavam ainda Nasr Hussein Dey da Argélia, assim como o Gor Mahia do Quénia e o Zamalek do Egipto, que carimbaram o passaporte para esta etapa. Os tricolores, a par da equipa argelina, deixaram o pássaro escapar. Como não bastasse isso, Bianchi demonstrou, em muitos casos, atitudes de indisciplina, em jogos que dirigiu a equipa no Girabola e até de faltas de respeito para com os seus auxiliares, no caso, os técnicos - adjuntos tricolores. Por isso, convenhamos que as supostas causas evocadas, para o rompimento do seu contratado, acabam por estar mal explicadas. Que venha o Petro provar o contrário…


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