Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O erro de Caxala

21 de Agosto, 2014
O jogo entre o Kabuscorp e o 1º de Agosto para os quartos-de-final da Taça de Angola, disputado no passado sábado, continua na ordem do dia. Um jogo que teve como principal protagonista o árbitro António Caxala, que anulou um golo limpo à equipa do rio seco.

Um erro que acabou por ter influência directa no final do jogo. A direcção rubro-negra entregou à federação uma carta-protesto contra o árbitro e pediu ao órgão reitor do futebol nacional, por ser filial da FIFA, para fazer chegar as suas inquietações ao organismo mundial.

"O nosso ofício foi elaborado e entregue à FAF mas também solicitámos que ela o remetesse à FIFA porque a pessoa envolvida é um árbitro internacional, apita com as insígnias da FIFA", disse Fernando Barbosa, SG do clube, em entrevista ao Jornal dos Desportos.
"O que nos parece é que foi transferido para o árbitro a decisão de solucionar os jogos, os árbitros deviam apenas fazer cumprir as regras e não prejudicar as equipas da maneira como temos visto", enfatizou o dirigente do clube militar.

O processo que colocou a arbitragem no topo das discussões do futebol nacional não tem inocentes. A subversão da normalidade está enraizada em adeptos, clubes, dirigentes, árbitros e jornalistas, pelo que o anormal seria que as coisas fluíssem sem os problemas virem à tona. O futebol não pode ser deixado de lado por ser uma indústria que movimenta milhões e milhões de kwanzas por ano e por constituir uma actividade vital enquanto ferramenta de dimensão e natureza social. O erro é humano. O erro sistemático não tem nada de humano.

Ao verificarmos num jogo erros que prejudicam só a mesma equipa, isto não é apanágio da arbitragem. A promiscuidade não pode ser confundida com os deveres que cada árbitro tem em cada jogo para o qual é nomeado. O que se viu durante os noventa minutos de jogo em que Caxala e os seus auxiliares foram os principais protagonistas é uma imagem profundamente negativa que o futebol nacional projecta para os cidadãos comuns, cuja percepção clara é a de que não existe verdade desportiva no nosso futebol. A sociedade desportiva nacional tem regras e deveres que não estão a ser cumpridas.

Não podemos estar catalogados como um país onde não há verdade desportiva e onde quem prevarica nunca é castigado. Golo é golo, limpo, diga-se, em qualquer competição do mundo e filosofia, ideologia ou seja lá o que for não podem ser impostas ou praticadas pela arbitragem sem que as regras sejam modificadas. O vice-presidente do Conselho Central de Árbitros, Belmiro Carmelino, referiu que apesar deste trio ter reconhecido o “erro grave” durante os interrogatórios, será severamente sancionado. Vai isto solucionar alguma coisa? Pensamos que não, porque o lesado, no caso o 1º de Agosto, não vai ser ressarcido.
Assim vai a arbitragem nacional.

Últimas Opinies

  • 15 de Julho, 2019

    O real papel do gestor desportivo

    As funções de um gestor desportivo não são mais do que as funções de um gestor de empresas, adaptadas e ajustadas às particularidades de um clube ou federação desportiva.

    Ler mais »

  • 15 de Julho, 2019

    Quem explica o desporto angolano?

    O nosso desporto merece um estudo profundo, para se encontrar explicações que justifiquem os resultados que vai tendo.

    Ler mais »

  • 15 de Julho, 2019

    Cartas dos Leitores

    No nosso grupo (A),  somos a única selecção (Angola) que tem a sua primeira participação  a este nível. Canadá vai para a sua sétima, Nova Zelândia.

    Ler mais »

  • 15 de Julho, 2019

    Objectivo falhado

    Angola não conseguiu alcançar o objectivo preconizado no Mundial de Hóquei em Patins, que se disputou em Barcelona, Espanha, acabando por se quedar na sexta posição.

    Ler mais »

  • 13 de Julho, 2019

    Cartas dos Leitores

    Vamos entrar para o campeonato em cada jogo para ganhar, nós queremos começar bem, com o pé direito. Como sabem, já temos o calendário.

    Ler mais »

Ver todas »