Jornal dos Desportos

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Opinio

O exemplo da Hula

13 de Dezembro, 2018
Há muito, que os clubes provincianos que militam no campeonato nacional de futebol da primeira divisão, divergem dos governos locais, no que toca ao apoio ainda que mínimo às suas acções. Os governos, por sua vez, sempre alegaram que as verbas que são cabimentadas não prevêem apoio aos seus clubes.
Aliás, Dumilde Rangel, ao tempo governador da província de Benguela, chegou mesmo a usar termos sarcásticos aos responsáveis do 1º de Maio de Benguela, para que fossem bater outras portas, menos a do Palácio da Praia Morena. \"Aqui não há pão para malucos\", pode ter dito, mais palavra menos palavra, nesses termos.
Em parte, a situação acaba por ser compreensível. Pois, é sabido que o orçamento dos governos provinciais, na verdade, não prevê apoio a clubes locais. Contudo, tal não significa que os governos não encontrem um meio termo para acudir a uma determinada situação pontual, que esteja a viver um clube ou uma equipa local. Tudo passa pelo bom senso ou pela sensibilidade do governador.
Afinal, os governos, independentemente de serem unidades orçamentadas, também arrecadam verbas, por via dos serviços públicos que prestam e não perdem nada caso se predisponham a acudir uma ou outra situação de um clube local, sobretudo, nos casos em que às vezes, a equipa é a embaixadora da província na maior prova do futebol nacional.
A insensibilidade, de alguns governos de província, “arrumou” com muitas equipas do Girabola.A Académica do Soyo desapareceu do mapa. O Cambondo de Malanje idem, aliás, o primeiro, torna o caso mais bizarro por ser uma província de forte produção petrolífera. Porém, como dizia, em tudo conta o bom senso de quem se senta na cadeira de governador provincial.
O bom exemplo chega-nos da província da Huila, onde o governador Luís Nunes predispôs-se a prestar apoio ao Grupo Desportivo da Huíla, único representante da província, no Girabola, com dois milhões de kwanzas/ mês. Pode, numericamente, não ser grande coisa, contudo, não deixa de ser uma ajuda, um alívio à gestão do clube huilano.
E, temos a certeza, que a província não vai cair em desgraça, pela falta destes dois milhões que passam a constar dos cofres do Desportivo da Huíla. São pequenos gestos que enobrecem os homens. E, Luís Nunes sai-se bem na fotografia, com esta iniciativa, com este altruísmo. Pois, muitos que se sentaram antes, no mesmo lugar, não tiveram essa amabilidade.
Para os governos de outras províncias, fique claro, que este escrito não visa sensibilizá-los a fazerem o mesmo. Já o dissemos, que as suas verbas, na verdade não prevêem apoios a terceiros, e que este passa, apenas, pelo bom senso do mandatário da província. E, o governador da Huíla, é realmente um homem do bem.

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