Jornal dos Desportos

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Opinio

O fim nas Afrotaas

07 de Abril, 2015
Asafra dos clubes nacionais nas Afrotaças, Liga e Taça da Confederação Africana de Futebol (CAF), neste último final de semana, coloca em risco o lugar de Angola no ranking dos países com direito a quatro formações nessas provas.A presença nesse grupo de países é determinada pelo resultado das equipas. A simples presença na fase final ou de grupos, representa um ponto, nas meias-finais dois e assim por diante. Se somadas todas as prestações determina-se os países melhores colocados.

Angola, por força do que fizeram as equipas nas Afrotaças, no período entre 2004 a 2009, conseguiu estar entre os 12 países. Contudo, depois de 2009 só o Interclube e o Recreativo do Libolo fizeram alguma coisa, que pode ser no entanto insuficiente para nos mantermos nesse ranking. A Confederação Africana de Futebol a seu tempo vai divulgar a lista de países com direito a quatro equipas nos próximos cinco anos.

E não vai ser surpresa se o país for afastado desse ranking. As equipas angolanas não sabem explicar a razão desse fracasso consecutivo ou podia-se dizer, perpétuo. Não se tem feito um diagnóstico correcto nem das capacidades das equipas nem dos erros das participações anteriores. Há muito que se tem criticado a forma repentina como as equipas querem chegar ao topo do futebol africano.

O que se recomenda é um trabalho estruturado, e não como se faz hoje. Contratar dez jogadores e um treinador não resulta no mesmo ano, tão pouco é recomendável. É necessário formar, dar tempo aos treinadores e equacionar as ambições de maneira crescente, e não como se faz hoje.

Recreativo do Libolo, Kabuscorp do Palanca e o Benfica de Luanda fizeram o contrário do que os manuais da boa gestão recomendam.O Recreativo do Libolo despediu o treinador na véspera de começarem as provas, o Kabuscorp do Palanca fez o mesmo, mandou embora o treinador, contratou novos jogadores, porém sem resultados satisfatórios.

Não é por esse caminho que deve trilhar o futebol nacional. Temos exemplos que dispensam custos. Basta copiar o que fazem as modalidades do basquetebol e andebol.Se por um lado, é mau para o futebol nacional que Angola tenha apenas duas vagas nas próximas edições das Afrotaças, uma na Liga outra na CAF, pode por outro lado ser um momento oportuno para fazer um exame de consciência. Talvez corrigir o percurso que os clubes procuram fazer a qualquer custo, sem o devido preparo.

A questão do calendário do Girabola é um assunto que a prática resolve. Ou seja, não pode ser o começar tardio do Girabola a razão principal do descalabro das formações nacionais em África. O maior problema são as más práticas, opções precipitadas, o imediatismo. Esse é o cancro das equipas nacionais.

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