Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O Maio de agora

21 de Abril, 2014
Reiteradas vezes dissemos que em alta competição os resultados menos conseguidos de uma equipa são sempre susceptíveis de minar o ambiente, dar azo a especulações disto e daquilo e, em última instância, a um clima de pressão sobre a equipa técnica. Esta é uma realidade comum no mundo desportivo e não será novidade para quem ande nele, seja como dirigente, praticante ou mero espectador.

E pior ainda quando a crise se abate contra uma equipa com alguma referência, com algum passado glorioso. Passa-se, infelizmente, este ambiente no 1º de Maio de Benguela, porque a equipa ainda não conseguiu vencer ao longo das jornadas até aqui disputadas no Girabola. É lógico que não é a única equipa nesta condição. Existem outras.

Na verdade, muitas vezes quando se está em condição crítica, faz-se imediatamente uma avaliação do seu nível competitivo, do seu histórico. Equipas há que podem fazer metade da primeira volta só com derrotas, sem que a situação preocupe tanto. Porém, existem outras que, quando atoladas no lamaçal de maus resultados, despertam a atenção geral, porque um dia já souberam transmitir ondas de alegria à sua massa associativa.

O 1º de Maio tem história, pese embora já não exibir aquele charme que o notabilizou na década de 80 e levou à conquista de dois títulos, um caso singular, transformando-se na primeira equipa a quebrar o monopólio de Luanda. Mas hoje não se justifica que se apresente de forma tão desastrada como está no presente campeonato. Os adeptos estão inconformados e vão pressionando a direcção do clube.

A direcção também procura tomar medidas que permitam a inversão do quadro das coisas. Aliás, estamos todos recordados de ter ouvido a meio da semana passada o seu vice-presidente para o futebol, Rui Araújo, ameaçar corte nos salários para disciplinar os atletas, que na sua visão não se têm empenhado em campo. Claro está que a medida acaba por ser drástica de mais e capaz de não produzir resultados.

Mas é preciso que algo seja feito, de modo que a equipa desperte para os resultados, sem que as medidas belisquem o orgulho dos próprios actores do espectáculo, sendo que o essencial será amenizar o clima para que as coisas corram como devem e a breve trecho se possa ver a estrela do 1º de Maio a brilhar. De resto, é importante que a equipa se livre da linha d'água, sob risco de Benguela voltar a cair no esquecimento girabolista.
O campeonato caminha para o fim do primeiro turno, havendo ainda tempo de recuperação, sobretudo para uma equipa que não vê o título como meta, apenas na sua permanência na prova de maior expressão futebolística nacional.

É preciso acreditar que a inversão do quadro é possível, mas com estratégias consentâneas, sem discursos musculados e muito menos ameaças de cortes ou redução de subsídios.

O sensato será serenar os ânimos, deixar a equipa trabalhar e ver como se vai comportar pelo menos até ao fim da primeira volta. A situação não é ainda assim tão alarmante para que se parta já para medidas duras.

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