Jornal dos Desportos

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Opinio

O ministro tambm viu

28 de Fevereiro, 2017
Eu acho que o ministro da Juventude e Desportos, Albino da Conceição, também conhece a travessia no deserto por que passam nos últimos anos os nossos embaixadores nas Afrotaças, e claro, com as suas razões e fundamentos, não ficou igualmente satisfeito com o 1º de Agosto, esta equipa de grande peso no Girabola, mas que - verdade seja dita - nunca mais teve nos torneios africanos a qualidade da sua prestação de 1997, quando chegou a ser finalista na Liga.

O ministro quer equipas que salvem a honra e o nome de Angola. E sabe que isto só é possível com uma boa organização, como é, por exemplo, a necessidade de ter um calendário do Girabola mais facilitado, que inicie numa altura que dê mais rodagem e coesão às equipas.

Isso, não vimos. O 1º de Agosto revelou muito pouca atitude, devido à falta de jogos suficientes. Por isso mesmo, ficou logo na primeira eliminatória que o ministro também viu com os seus próprios \"olhos\".

Então, em boa verdade, a olhar-se para a geografia do campeonato, vê-se que não há equilíbrio competitivo, justamente porque a insistência no modelo antigo do calendário do Girabola não ajuda à boa participação das nossas equipas nos torneios africanos.

É neste particular, para muito boa gente, e o ministro é um deles, a Federação Angolana de Futebol tem de ver bem se acata ou não,a \"sugestão\" avançada pelo ministro.

Um campeonato nacional mais renhido evita que as nossas equipas continuem com fracos desempenhos. Evita que tragam consequência tristes, como por exemplo passou a acontecer em 2012, com Angola a receber a penalização de só inscrever duas equipas, uma para a Liga dos Campeões e a outra para a Taça CAF, quando já participavam com quatro equipas.

O facto de há muito não entrar na fase de grupos ou sequer chegar à última eliminatória, influenciou, negativamente, na tomada de decisão avançada pela Confederação Africana de Futebol.

Esse apelo, essa sugestão, à reformulação do calendário, de certa forma tem inquietado outros dirigentes. Não é apenas o ministro que o fez . Costuma ser levantada antes e durante os sorteios. E a reclamação faz sentido!

Evitam os lamentos dos clubes que ficam prejudicados nas Afrotaças. Ajuda-lhes nos estágios e nas preparações. Porque querem sempre preparar-se muito bem, começar com a posse de alguns dados sobre os adversários e assim, encarar as eliminatórias africanas com alguma segurança, já com muitos jogos do Girabola nos \"pés\"...

Caso não ocorra tudo isto - não é ser pessimista - macacos me mordam se um dia estivermos de regresso ao naipe dos com direito a duas equipas para cada competição. Temos de crescer e aperecer com um sistema de competição e calendários mais fortes.

É preciso termos em conta e aprender que as equipas de países como a Tunísia, República Democrática do Congo, Argélia, Costa do Marfim, Egipto, Sudão, Marrocos, Camarões, Congo Brazzaville, Mali, Nigéria e a África do Sul , chegam longe porque organizam os seus campeonatos com muitas jornadas antes do inicio das provas africanas de clubes.

De resto, o ministro deve ser apoiado e a Federação Angolana de Futebol e os clubes devem de saber ouvir para que as equipas angolanas cheguem longe.

Se não continuremos a correr o risco de ver as nossas equipas a sofrerem, sem estofo para terminar em beleza nas Afrotaças. A FAF não pode mandar sozinho na feitura de todos os jogos e calendários.

Uma das metas preconizadas no programa de acção do actual elenco federativo de Artur Almeida tem a ver com o a melhoria na alta competição interna em sobressai o plano de criação e regularização do calendário. E, portanto, nos quatro anos pela frente não se pode persistir na dificuldade de dar corpo à promessa.António Félix

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