Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O no seleco

19 de Novembro, 2017
O factor organização é a todos os títulos determinante. No caso particular do desporto joga papel fundamental, terminando o nosso sucesso, quando se faz presente, e o fracasso quando ausente. Portanto, é de todo legítimo aferir que certas instituições encontram limitações no seu exército em face de políticas de gestão não muito bem traçadas.
Espanta, à guisa de exemplo, que uma determinada federação não seja capaz de criar elementos atractivos para a selecção nacional. Que os atletas se dêem ao prazer de declinar uma chamada para representar as cores da sua bandeira. O caso ganha terreno muitas modalidades. No outro tempo vestir a camisola da selecção nacional representava o auge da carreira.
Na convocatória de William Voigt Bianchi para as eliminatórias de qualificação ao próximo campeonato mundial de basquetebol, dois atletas, de elevada experiência, não responderam positivamente, quando se sabe da importância do compromisso. A posição tomada por estes atletas não pode ser encarada com normalidade, mesmo que tenham apresentado os seus argumentos de razão.
O entendimento a que o bom senso nos leva é de que poderá haver muita coisa dentro da estrutura que rege o nosso basquetebol, longe do domínio do grande público. Pois só situações propensas a criar desanimo levariam um atleta a dizer não à sua Selecção. Que situações serão estas não nos atrevemos a apurar, até porque não somos adivinhos.
Mas também pode se tratar de uma situação compreensível, quando de permeio se colocam questões de saúde. Afinal um atleta limitado não dá contributo, antes pelo contrário ocupa lugar de quem podia fazer muito melhor. Entretanto, existem aqueles casos em que um determinado atleta diz não à selecção por algum descontentamento.
Como o dissemos mais atrás envergar a camisola nacional é o topo da carreira de qualquer atleta, mas também estes querem estar bem, ver honrados os seus compromissos e mais do que isso valorizada a sua prestação como atletas. Quando se sujeitam a uma série de constrangimentos para representarem a selecção nacional, naturalmente numa próxima convocatória pensam sempre duas vezes.
Não havendo como sancionar este tipo de comportamento de forma severa só a própria Selecção e o pais em última instância saem a perder. A guisa de exemplo, o torneio será de extrema importância e pode estar o seleccionador nacional, a quem foi, certamente, estabelecida uma meta contrariado. Pois, entra em campo com uma equipa não totalmente ao seu gosto.
Aqui, e como já foi dito, não se deve atribuir responsabilidade a actual direcção. A ela vai apenas um apelo no sentido de pugnar pela organização, a ver se situações do género não se repitam nos próximos tempos. Renunciar à selecção revela falta de compromisso com a pátria. No tempo da outra senhora o gesto podia ser motivo de várias interpretações.

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