Jornal dos Desportos

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Opinio

O nosso atletismo

09 de Novembro, 2017
Apesar do atletismo ser das modalidades mais representativas do nosso mosaico desportivo não é menos verdade que a sua acção se faz sentir com maior impacto quando se chega a esta fase do ano, em que se coloca em funções a máquina organizadora da tradicional corrida de fim de ano São Silvestre. Tal quadro, entretanto, não é revelador da falta de actividade competitiva a nível deste desporto, mas resulta sobretudo da grandeza que esta prova pedestre insere.
É de conhecimento geral que a nível da federação angolana da modalidade e das suas associações se desenvolvem acções competitivas regulares, mesmo que, na esteira de uma análise realística, seja ainda longe do nível do que se fazia nas décadas anteriores.
Em todo o caso, compreende-se que cada época é uma época e as facilidades tidas ontem podem não ser as mesmas de hoje. Ainda assim, os homens do atletismo sempre fazem tudo mais alguma coisa para mantê-lo vital.
De resto, foi em face de dificuldades de natureza financeira que o ano passado assistimos a uma São Silvestre pouco expressiva, disputada apenas por nacionais, perante a indisponibilidade de convidar estrangeiros como sempre foi. A prova ficou um pouco aquém da sua marca habitual do ponto de vista competitivo.
Numa altura em que estamos a um mês da realização de mais uma edição é notório da parte da direcção de Federação Angolana de Atletismo a conjugação de certo esforço no sentido de devolver à prova este .ano o seu cariz internacional. A São Silvestre de 2017 pode voltar a contar com corredores estrangeiros, estando a serem ponderados todos elementos inerentes à emissão de convites. Sabe-se de fonte da organização que em caso de haver dificuldades em desapertar o nó financeiro os convites poderão resumir-se aos países da nossa região, sendo que o importante será fazer com que a prova mantenha o seu carácter internacional.
Nada mau. É certo que etíopes, quenianos e eritreus, exímios animadores da prova, não fazem parte da nossa região, ainda assim será muito melhor que em 2016.
Aliás, esta da preferência pelos países vizinhos não é já um dado adquirido. Será alternativa caso se esgotem as possibilidades de mandar vir para a corrida os mesmos países de sempre. Por aí podemos dizer que existe ainda alguma possibilidade de a prova voltar à primeira forma.
Na edição passada também podemos perceber que a situação havida resultou do facto de o novo elenco directivo ter acabado de ser investido, tendo faltado espaço temporal de manobra para fazer mais e melhor.
Por tudo isso, aguarda-se expectante que as coisas aconteçam como estão a ser alinhavadas, porque uma prova de cariz internacional é uma coisa, e uma doméstica é naturalmente outra.
Mesmo em termos de histórico dos seus vencedores, quem tenha ganho uma prova sem concorrência estrangeira não se lhe pode atribuir o mesmo prestígio de quem tenha chegado primeiro à meta deixando pelo caminho destemidas lebres etíopes, quenianas ou eritreias para não citar outros.

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