Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O nosso futebol

07 de Maio, 2015
O futebol é sem dúvida a festa mais apetecida do nosso povo. Como tal, não tem merecido a atenção devida. Ou seja, não devia andar à deriva, sem aquilo que lhe caracteriza como desporto das multidões. Sabemos que o nosso futebol não vive o melhor momento. Falta-lhe engenho e arte, falta-lhe o espectáculo. Enfim, falta-lhe beleza artística.

Esse défice, pode ser tido como responsável pela escassez de público nos estádios, embora se deva reconhecer algumas excepções. E não pode continuar assim. Sobretudo quando sabemos que já teve momentos de glória, momentos de efusivas emoções, e mais ainda, quando sabemos que não há carência de mentes pensantes.

De resto, pensamos que o que tem havido é um certo paradoxo: a presença de uma catadupa de dirigentes entre os da nova vaga e outros já com muita estrada andada, quando o desporto que dizem servir está em decadência permanente. O futebol em nossa casa não tem estado bem, convenhamos, reconhecer isto é saudar iniciativas voltadas para políticas que visam inverter o quadro.

E agora, com a profissionalização que assistimos nos clubes com alguma capacidade financeira a enveredar para a política de compra de atletas no mercado externo, pode dar-se o caso dos mesmos, investirem pouco nos escalões de formação. E quando assim se aposta, chega-se ao risco de termos um campeonato com alguma qualidade competitiva, mas sem que esta se reflicta na qualidade e capacidade para a selecção nacional.

Aliás, as últimas aparições dos Palancas Negras deixaram ver isto mesmo. Angola não tem vendido saúde a nível das suas selecções, quer se fale da principal quer se fale das selecções mais jovens, situação que preocupa grandemente os agentes da modalidade e o público em geral, geralmente muito exigente.

O mundo está na expectativa da Conferência Nacional sobre futebol, aprazada para Junho, vamos expectantes ver o que pode trazer à partida, a Comissão de Preparação tem se desdobrado em contactos com várias sensibilidades ligadas à modalidade, em busca de subsídios que possam ser válidos para aquilo que deve configurar a proposta-chave.

Diga-se de passagem, que há muita esperança da parte dos homens do futebol, de ver a modalidade trilhar outro rumo depois do “conclave”. É mister, que se espere do mesmo propostas sérias e concretas, que possam servir de mola impulsionadora para os passos firmes em direcção ao desenvolvimento.

Serão para já muitos aspectos a serem discutidos, a começar pelo incentivo às acções de formação até à desejada reestruturação da equipa nacional, passando é claro, pela normalização das regras do próprio campeonato nacional da primeira divisão, onde pelo que nos é dado ver muita coisa deixa muito a desejar.

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