Jornal dos Desportos

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Opinio

O nosso xadrez

12 de Dezembro, 2014
Na verdade, o xadrez é a modalidade em que Angola sempre esteve na mó de cima. Só é pena, que por constar do leque das chamadas modalidades pobres, não tenha uma maior visibilidade. Mas para quem já anda há muito nestas “andanças” do desporto, há-de convir que desde os primórdios da independência, o xadrez posicionou-se como um dos desportos mais ganhadores.

Em África, onde o diálogo versa o futebol ou basquetebol surgem várias referências, como potenciais adversários, não encontramos tantos a nível do xadrez. Há algumas décadas ainda havia nomes que se destacavam como Goudier, Surrier, Omuko e outros, mas não superavam facilmente os nossos.

Em Angola, o xadrez conheceu diferentes gerações de praticantes, que marcaram o mercado escaquístico pela positiva. A começar por Rogério Silva, Mário Silas, Marcolino Meireles até à geração de Eugénio Campos e Adérito Pedro, passando pela de Francisco Brinfel, Armindo Sousa, Manuel Mateus e Alexandre Nascimento, podemos dizer sem vaidades que somos uma potência africana.

Os resultados de Saurimo são provas de que o xadrez angolano ainda continua com vigor para manter-se no topo. O facto de o campeonato ter sido de escalão júnior, dá-nos motivos para acreditar num futuro airoso. Os próximos campeões africanos de seniores ainda podem ser angolanos, embora não devamos fechar os olhos aos países que também o desenvolvem.

Torna-se importante para além da realização de campeonatos provinciais e nacionais, que felizmente se disputam com alguma regularidade, se aposte também na realização de torneios zonais. São estes que juntam os melhores e permitem aos nossos aferir o traquejo competitivo. É evidente que a organização de certames de âmbito internacional envolve custos, mas às vezes é preciso fechar os olhos aos gastos para atingir objectivos.

Receber o Campeonato Africano já foi positivo. Foi uma clara demonstração de que Angola é uma praça forte da modalidade. Os resultados aí estão, mostram isso mesmo. A Federação Angolana de Xadrez pode fazer recurso a patrocínios para a realização de torneios anuais, que não só tragam ao país referências internacionais, como também podem incentivar os mais jovens à pratica da modalidade.

O Torneio Cidade de Luanda, o Grande Prémio Nocal e Persistentes, que eram disputados na década de 80, podem ter influenciado na projecção dos xadrezistas que vieram a emergir anos depois. Por isso, vale sempre apostar na competição, que faça emergir Silas, Ribeiros, Nascimentos, Mateus, Pedros, Eugénios Campos etc, etc.

Os citados são aqueles que a memória permitiu alcançar. Porque a par destes que escreveram com letras de ouro a História do xadrez angolano, muitos outros que não cabem na volumosa lista dos anónimos. Verdadeiros mestres que esta Angola consagrou e que pela África e pelo mundo souberam alguns, e têm sabido outros, espelhar o perfume da classe, elevando para patamares altos o nome de Angola.

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