Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O poder financeiro

09 de Novembro, 2014
Alias, foi sempre assim onde o desenvolvimento já faz morada há muito, bastando ver as quantias que entram em jogo quando se refere à contratação de jogadores ou treinadores. Mas este quadro vai aos poucos ficando parecido com a realidade angolana, não havendo por isso que duvidar perante a argumentação de que o nosso desporto está cada vez mais profissionalizado.

Pois ao contrário do que ocorria nas primeiras edições do campeonato nacional de futebol da primeira divisão, em que a esmagadora maioria de jogadores jogava ao fim-de-semana e à segunda-feira pela manhã se apresentavam nos respectivos empregos, hojehá atletas que vivem apenas da actividade desportiva.

De resto, desperta-nos para este exercício a maratona de contactos a que assistimos todos os anos no quadro do movimento de transferências e contratações que têm lugar neste período de defeso. A frenética movimentação dos clubes infunde a percepção de que o desporto vai sendo cada vez uma actividade longe do alcance de quem tenha os cofres depauperados.

No futebol, na época anterior, fizeram maior eco as contratações do técnico Lúcio Antunes, ex- seleccionador de Cabo Verde, para o Progresso do Sambizanga e Mputu Mabi, congolês, para o campeão Kabuscorp do Palanca ao passo que no basquetebol o Libolo venceu a corrida por Carlos Morais, que acabava de tentar a sorte na NBA através dos Raptores.

Este ano estamos à espera que as coisas aconteçam. Pelo menos, o Caála já deu o primeiro sinal, com a contratação de Bernardino Pedroto para a sua equipa principal de futebol, falando-se o mesmo do Asa, que acerta os últimos detalhes com o brasileiro Roberto Carmo.

Enfim, está dito e escrito com todas as letras que o desporto passou a ser algo para quem tem poder financeiro, sendo aqui onde encontramos o verdadeiro paradoxo, se tivermos em consideração que no nosso Girabola ainda encontramos equipas com limitações de toda ordem, choramingando do princípio ao fim do campeonato por falta disto e daquilo.

Perante este quadro, o que a lógica nos leva a concluir, é que o nosso campeonato vai ter sempre equipas que partem em vantagem competitiva em relação às outras, sendo que umas, em número muito irrisório, vão lutar sempre para o título, ao passo que as outras exercem sempre o papel de meras animadoras da festa, sem poderem sonhar por aí além, em face das suas limitações.

E tudo indica que o próximo campeonato vai ser super-competitivo entre as equipas que fizeram um forte investimento. Os poderosos prometem fazer tudo para potenciar os respectivos planteis. Afinal quem investe espera sempre ter algum retorno, e este reflecte-se nos resultados em campo ou na consumação das metas competitivamente estabelecidas.

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