Jornal dos Desportos

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Opinio

O regresso dos aviadores

23 de Agosto, 2018
Depois da despromoção histórica em 2017, o Atlético Sport Aviação (ASA) regressa este ano à elite do futebol nacional. O emblema aviador, que à par do 1º de Agosto carregava até à época transacta o rótulo de totalista da maior prova do desporto-rei no país, que ganhou nos últimos anos o cognome de Girabola Zap, logrou o feito graças a vitória de 3-2, no último sábado, sobre o Santa Rita de Cássia do Uíge.
A formação do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro fez jus à sua condição de favorita ao retorno à final-flor do futebol nacional na Série A da Segundona, designação por que é conhecido o ainda disputado campeonato da segunda divisão, em que também perfilam o São Salvador do Kongo e o Mpatu a Ponta do Bengo, respectivamente.
O ASA, que nos últimos anos enfrentou muitos problemas a nível da direcção do clube não resistiu à crítica situação financeira, que afectou grandemente à estrutura da sua equipa de futebol e acabando, daí, por cair de divisão. Por isso, neste retorno à alta-roda do futebol tem de refazer a sua máquina organizativa e tentar um novo rumo.
Para já, é uma tarefa árdua se se tiver em conta a actual conjuntura que o país enfrenta, por força da crise económica e financeira, derivada da baixo do preço do petróleo no mercado internacional. A direcção do clube tem consciência das responsabilidades que terá na “nova aventura” no Girabola, para depois não vir dar o tiro na própria perna.
É por demais sabido que nos últimos tempos o futebol no país tem sido acossado com vários problemas, com realce para as desistências de equipas no campeonato da primeira divisão. E a onda de desistências já vem sendo recorrente desde 1998, quando o Kabuscorp do Palanca abandonou o Girabola, por alegada incapacidade financeira.Logo a seguir ao emblema palaquino, o Grupo Desportivo da EKA do Dondo optou, também, pelo “adeus” em 1999 por razões semelhantes. Um ano depois a prova foi ainda acossa pelas desistências da Sécil Marítima e do Cambondo de Malanje. Em 2017 o revés das desistências voltou a acossar outra equipa de Luanda, no caso o Benfica.
No presente Girabola, tivemos a desistência do JGM do Huambo, na primeira volta. Embora a direcção do clube havia assegurado disponibilidade para competir na época, não precisou de muito tempo para, de viva voz, soltar o grito de socorro, alegando incapacidade financeira. E oxalá que os revezes não se repitam na edição de 2018/19.
É sabido que a presente época que é disputada contra-relógio e num período de pouco mais de seis meses tem o seu término previsto para 2 de Setembro. O reajuste do calendário da prova que anteriormente era disputada entre os meses de Fevereiro e Novembro, foi para acertar o passo com os demais campeonatos do continente.
Dado ao desajuste que vigorava, as equipas angolanas inciavam sempre a campanha nas provas da Confederação Africanade Futebol (CAF) sem ritmo competitivo. Isto fazia com que muitas dessas tombassem logo na primeira esquina das Afrotaças.
Com o início do Girabola agora em Novembro, ter-se-á um “velho problema” equacionado. Em relação à próxima época, espera-se, efectivamente, que as equipas, sobretudo as que ascendem à primeira divisão agora como o ASA e a estreante equipa do Bikuku FC da Lunda Norte, não venham depois revelar incapacidade financeira. O reparo é extensivo também a outras clubes que têm já a manutenção assegurada na I Divisão.


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