Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O rio secou

01 de Abril, 2014
Esta é a pura verdade. Por mais que alguns digam o contrário, a realidade diz-nos que o rio secou. Já não tem a água que durante vários anos jorrou com alguma abundância e que deliciava as cores de um dos clubes mais emblemáticos do país. Como o rio secou, o toque de alarme tomou conta de todos quantos ajudaram a encher de água o rio.

Em cinco jogos disputados, o 1º de Agosto soma apenas uma vitória. Já perdeu quatro vezes, performance que o coloca na zona de despromoção. Hoje é dia 1 de Abril, famoso por ser o Dia das Mentiras. Mas dizer que o 1º de Agosto está na zona movediça do campeonato não é nenhuma mentira. É a pura verdade. Aliás, os números não mentem.

Todos se interrogam sobre o porquê do rio ter secado. O que está por detrás disto tudo, quando a direcção do clube abriu os cordões à bolsa para satisfazer as exigências do técnico Daúto Faquirá no que concerne à composição do plantel. Olha-se para a carreira feita até ao momento pelo 1º de Agosto e a dúvida é inevitável: ou o superavit competitivo deste início de época era mesmo demais para os recursos existentes, ou a mudança de treinador, ainda no decorrer da época passada, e de projecto começa demasiado cedo a revelar fragilidades, que até nem eram assim tão difíceis de prever.

Ou então as duas coisas, naturalmente - e, sendo assim, a montanha torna-se ainda mais difícil de transpor. Facto: o campeonato começou mal, a Champions não passou de um sonho distante de mais. Como se explica que os “campos de recrutamento” cada vez mais amplos tenham resultados infinitamente piores?

Em função do que se tem observado, parece notório que Daúto Faquirá ainda não assimilou a mística e cultura do 1º de Agosto. Exibições que não entusiasmam, erros que se vão repetindo e discursos pouco convincentes, não se compadecem com a bitola de exigência dos militares. Tal como aconteceu com outros técnicos, como, por exemplo, Carlos Manuel ou Djokovic, Faquirá vai ter de fazer a sua aprendizagem e crescer em pleno processo competitivo.

A história pode até ignorar os orçamentos e fazer do 1º de Agosto favorito, mas a conversa, para já, acaba aí. A menos que a equipa ultrapasse a fase de lamber as feridas e seja, como lhe compete, aquilo que apoiantes e até adversários esperavam que fosse. A escolha de Daúto Faquirá para treinador dos militares, em detrimento de Romeu Filemon, ainda a meio da época passada, foi, indiscutivelmente, uma má opção da direcção.

O que ele produziu nestes meses, tanto em resultados no Girabola e na competição continental, como na recuperação, adaptação e promoção de jogadores, falam por si. Para já, o rio está neste momento seco. Esforços terão de ser feitos para que a água volte a correr normalmente, de modo a que o rio recupere a sua força.

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