Jornal dos Desportos

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Opinio

O rolar dos patins

19 de Outubro, 2019
Deu-se na tarde de ontem, a ‘stickada’ inicial da presente edição do Campeonato Nacional de hóquei em patins, que é marcada pelas ausências das equipas do interior do país e que conta com a participação de seis emblemas militares.
O 1º de Agosto, Exército, Comité Desportivo das Forças Armadas (CODEFA), Marinha de Guerra, Instituto Superior Técnico Militar (ISTM) e Estado Maior formam o núcleo das equipas que jogam em representação das estruturas militares, ao passo que o Petro, Sagrado Coração de Jesus e Académica de Luanda, actual detentora do troféu, são os “civis” que desfilam na prova. Para já, não deixa de ser contraproducente as ausências das demais províncias neste “Nacional”, que arrancou ontem com os jogos ISTM – CODEFA e 1º de Agosto – Estado Maior, já que esse factor retira alguma competitividade na prova. O mais caricato ainda é o facto de muitas dessas províncias soltarem o grito de socorro, pedindo até patins e sticks para poderem participar no campeonato.
E como disse o antigo hoquista, Anacleto Silva “Kirro”, isso é inaceitável. Na verdade e tal, como sublinha o ex-internacional angolano, os fazedores do hóquei em patins dessas províncias deveriam alterar a sua maneira de estar, libertar-se da dependência da Federação da modalidade e, acima de tudo, procurar mobilizar apoios internamente e estabelecer calendários de competições, de acordo com as condições disponíveis.
“Kirro” é de opinião, que no caso particular do Atlético do Namibe, que disputou a Taça de Angola, era mais sensato que se fizesse presente neste campeonato nacional.
Não simplesmente pela maior abrangência que essa prova agrega, mas sobretudo pelo facto de se calhar numa empreitada desta índole seria mais fácil ir buscar apoios junto das estruturas locais, como Governo da Província, empresariado e outros órgãos afins.
E sendo o hóquei em patins, uma das primeiras modalidade a ganhar o estatuto internacional no país, uma potência continental e aliado isso ao facto de Angola ser um “habitué” nos Campeonatos do Mundo, era imperioso que a nível do interior fosse alvo de uma maior atenção. Os Governos Provinciais e o próprio empresariado dessas circunscrições deveriam apoiar mais a modalidade, de formas a impulsionar a sua massificação e desenvolvimento.
Noves fora esses factores, temos em marcha mais uma edição do campeonato nacional de hóquei em patins, em que se joga com rótulo de ‘poule’ única a uma “mão” e fica eliminado o último classificado do lote das nove equipas que perfilam nesta edição. Consequentemente, do primeiro ao quarto classificados, apuram-se as equipas para a disputa das meias-finais, a melhor de três jogos.
Nesse seguimento, as equipas posicionadas entre o quinto e oitavo lugares disputam entre si eliminatórias pela melhor classificação desse certame, cuja grande final está prevista para 19 de Novembro próximo. Até lá, os amantes desta modalidade poderão desfrutar, então, da arte e o génio que os atletas podem proporcionar em termos de recortes do bom hóquei em patins. Enfim, é uma oportunidade a não dispensar de mais esta festa em que os patins vão rolar na capital do país.

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