Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O segundo "chicote"

16 de Abril, 2014
Um treinador para ser bem-sucedido tem de percorrer um longo e íngreme caminho, onde, perante pressões de todos os lados, têm de ter consciência das suas capacidades para que o seu trabalho seja não apenas enaltecido como também coroado com a conquista de títulos ou, como alternativa, ir ao encontro das metas idealizadas pelos seus patrões.

Quando os princípios acima referenciados não forem cumpridos o "chicote" cai sobre os seus ombros. Esta prática é universal. Acontece em todo o mundo e Angola, que tem o futebol como uma das modalidades mais mediáticas, não foge à regra.

Em sete jornadas já disputadas, já ocorreram duas "chicotadas". A primeira no ASA, com Ernesto Castanheira a ser substituído por Samy Matias e no 1º de Maio, onde Agostinho Tramagal rendeu Paulo Saraiva.

Ainda não estamos a meio do campeonato e já estamos com duas "chicotadas". Por esta altura ninguém é capaz de dizer com certeza absoluta quem será o próximo a ficar no "desemprego", embora saibamos que algumas equipas estão muito distante das metas preconizadas pelas suas direcções.
É para dizer que vida de treinador não é fácil. O chavão é comum, mas basta olhar para aquilo que é a nossa realidade a meio da primeira volta, para perceber que a frase continua a encaixar.

Paulo Saraiva, aliás, como Ernesto Castanheira, não resistiu aos maus resultados. O técnico não tinha condições para continuar, depois de ter consentido cinco derrotas, um empate e apenas uma vitória em sete jogos disputados. Em vinte e um pontos possíveis, Saraiva somou apenas quatro. A derrota diante do Benfica do Lubango, até então o "lanterna vermelha" do campeonato, apressou a saída do técnico.

Mas como diz a sabedoria popular “nem tudo que brilha é ouro”. Isto para dizer que nem todas as “chicotadas” resultam e que muitas delas servem apenas para camuflar alguns problemas internos que vivem grande parte dos nossos clubes. Problemas administrativos, para ser mais preciso. Mas como normalmente as consequências recaem para os treinadores, estes acabam por ser os sacrificados.

Isto para dizer que as "chicotadas" acontecem com alguma normalidade no 1º de Maio. A temporada passada o "bombeiro" Paulino Júnior foi quem segurou a equipa até ao final da temporada, salvando-a da despromoção. O seu trabalho não foi reconhecido e voltou para as camadas de formação do clube.

Este ano a direcção do 1º de Maio optou pelo regresso de Agostinho Tramagal, que conhece bem os cantos da casa. Contudo, os dirigentes da equipa benguelense tem de por os pés no chão e reflectir, porque a continuar assim dificilmente o clube voltará a ter a estabilidade de outrora.

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