Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Olhar o pas

04 de Março, 2017
Há muito que Luanda se tornou o centro de grandes decisões. Aliás, como capital do país, talvez o centralismo não se deva questionar. Mas existem coisas mínimas, que podiam ser tratadas em outras localidades do país, mas que em regra acabam por sobrar para a grande cidade. Mesmo quando as nossas selecções recebem as suas congéneres africanas, dificilmente os jogos saem da Cidadela, do 11 de Novembro ou dos Coqueiros.

Deve-se dar mérito à Federação Angolana de Futebol, que nos últimos tempos ensaiou o modelo de realização de jogos de carácter internacional, em outros Estádios do país. Benguela, Lubango e Dundo já tiveram o mérito de receber jogos internacionais, que envolveram os nossos Palancas. A iniciativa foi vivamente aplaudida, pois valorizou, de certa forma, estas províncias.

Por que razão, só agora, são outros quinhentos. Porque, nós que ao longo dos anos palmilhamos o continente africano para acompanhar as nossas selecções, muitas vezes fomos levados a cidades do interior, para a realização de jogos. Não de clubes, mas de selecções, que no quadro da política instituída, localmente, deixavam de ser realizados na capital para outras cidades.

Nos Camarões, muitas foram as vezes, em que os \"Leoes Indomáveis\" deixaram Yaoundé para jogar em Douala, na Costa do Marfim, nem sempre os Elefantes jogaram em Abidjan. Yamoussoucrou ou Bouaké surgiram sempre como alternativas à capital. Podíamos buscar outros exemplos, mas fiquemos por estes dois.

É salutar quando assim acontece. As restantes localidades, que também contribuem para o PIB do país, sentem-se reconhecidas e valorizadas. Aliás, não é sem razão, que em certos países as capitais são separadas entre a política e a económica, para fazer com que uma só cidade não subalternize às demais, porque em muitos casos, estas, também reúnem infra-estruturas à altura.

Portanto, é positivo quando se olha para o país, como um todo. Tudo isso, serve para enaltecer a iniciativa da nova direcção da Federação Angolana de Basquetebol, que ao contrário daquilo que é rotineiro, achou por bem realizar a cerimónia de investidura dos seus corpos sociais fora de Luanda, a exemplo da vez anterior, quando Paulo Madeira escolheu Benguela para a sua investidura.A cidade do Cuito foi a eleita, para a tomada de posse de Hélder Cruz e seus pares, para o próximo quadriénio. Os bienos, certamente, se sentiram honrados com o gesto. Alguém, pode dizer que o gesto visou retribuir os votos que obteve da província.

Até aí, tudo ok. Mas alguma outra Federação teve uma iniciativa igual, antes? Fiquemos pela interrogação.

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