Jornal dos Desportos

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Opinio

Os chips da corrida

23 de Dezembro, 2019
A faltar pouco mais de uma semana para o tiro de largada da 64ªedição da corrida pedestre de fim-de-ano, que é também apelidada de São Silvestre, a organização da prova esmera-se para que tudo corra de feição.
Tal como nos últimos anos, a corrida, que mais uma vez vai percorrer várias artérias de Luanda, capital do país, num percurso de 10 de quilómetros, ocorre num momento particularmente difícil, originada pela crise que assola o mundo, face à persistente baixa do preço do petróleo no mercado internacional. Isso é inequívoco.
Apesar destes contratempos, resultantes da crise financeira, a corrida pedestre de fim-de-ano, que também é apelidada por muitos de Demóstenes de Almeida Cligthon, continua a ser hoje uma marca do nosso atletismo, não fosse a expectativa em seu torno. E Luanda, como não podia deixar de ser, vai albergar na prova que sai à rua a 31 do corrente mês, a nata do atletismo nacional e de outras latitudes do mundo, unidas em prol deste grande evento, cujo “fair-play” assume-se como uma divisa.
Até à semana finda, perto de 2.000 concorrentes estavam inscritos. Para já, estão convidados, além de atletas dos países da Comunidade para Desenvolvimento da África Austral (SADC), a Etiópia, Portugal e Brasil.
Outros países como o Quénia, Uganda, República Democrática do Congo (RDC) e Namíbia, cujos atletas têm participado com regularidade em edições desta cimeira do atletismo, que Luanda alberga no último dia de cada ano, já confirmaram a sua presença.
Para presente edição, estima-se um orçamento de 66 milhões de Kwanzas, mas é ponto assente, que a Federação da modalidade pode ver reduzida a contribuição do Estado nesta empreitada. Foi nesse seguimento, que a titular da pasta da Juventude e Desportos, Ana Paula do Sacramento Neto, apelou ao elenco dirigido pelo antigo fundista Bernardo João, a encontrar fontes alternativas para fazer face a organização que se espera aceitável da prova. Para já, é um assunto que tem sido recorrente nos últimos anos.
E em tempo de aperto, como não podia deixar ser, a organização desta edição de 2019 da São Silvestre tudo faz para que, mesmo com parcos recursos, a prova se desenrole mais uma vez sem sobressaltos. E como em tempo de crise os bolsos ficam ainda mais apertados, até os ‘chips’ personalizados usados nas edições anteriores, este ano vão ser trocados pelos descartáveis.
O referido material, que serve de controlo da efectividade dos atletas ao longo do percurso, vai ser adquirido junto de um fornecedor da pátria de Luís de Camões, que é conhecido como expoente máximo da Língua Portuguesa. Fala-se mesmo que os anteriores ‘chips’ personalizados custavam, até o ano passado, nada mais, nada menos, do que quatro dólares, e hoje menos de um desta unidade monetária de referência das Terras do Tio Sam. Por isso, a opção nos ‘chips’ descartáveis, que ao contrário dos usados anteriormente não têm carácter devolutivo, não resulta nada mais senão como uma medida de poupança nestes tempos críticos. Enfim, uma estratégia que vale a pena…

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