Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os custos da impacincia

13 de Novembro, 2016
E é nesse campeonato em que assistimos muita impaciência por parte das direcções em relação aos treinadores, ignorando ou não os custos a isso inerente. Não seria de espantar que as direcções dos clubes não tivessem preocupados com os custos financeiros que essas decisões acarretam. Nem todos vivem o futebol da mesma maneira. O amor que cada um declara nutrir pelo futebol tem vários significados.

Nem sempre condizentes com os interesses dos clubes. É natural que os clubes não renovem com os treinadores no final de cada época desportiva, depois de uma análise detalhista dos resultados. Depois da assumpção das culpas de cada uma das partes. Só nesse ambiente é aceitável que se mande embora os treinadores, se ficar provado que os resultados negativos foram da responsabilidade do treinador.

De outro modo, não. Porém o que os dirigentes do futebol nacional nos têm transem é que sofrem de impaciência. Exemplo disso transmitiu-nos o Interclube, cuja direcção não viu qualquer problema em despedir o treinador no decurso do Girabola. Aliás desde a saída do treinador Bernardino Pedroto, em 2013, já perdemos a conta de quantos treinadores entraram e saíram do Interclube.

Chegam-nos informações de que há outros clubes que lhes querem seguir o exemplo, caso do Progresso do Sambizanga. A pergunta é porque razão o Progresso do Sambizanga quer despedir Albano César? Terá a direcção do Progresso achado que a sua equipa devia conquistar o Girabola? Chegar à final da Taça de Angola, discutir o troféu até ao prolongamento, consentir apenas duas derrotas na segunda volta em quinze jogos disputados não é prova de competência do treinador? Quanto ao oitavo lugar no Girabola2016, parece pouco irrelevante dada à curta diferença pontual que o separou das outras equipas. Mas em definitivo, o Progresso do Sambizanga não tinha condições de ser primeiro, segundo, terceiro, quarto e mesmo quinto já era complicado.

Quanto ao Interclube, talvez o problema não reside apenas nos treinadores, pois quem os contrata também deve ter responsabilidade porque nunca acerta. É talvez altura da massa associativa dos polícias sindicar melhor as decisões da sua direcção, exigir se calhar uma postura diferente no respeito do dinheiro que descontam todos os meses para sustentar o clube.

O Interclube quase nunca tem jogadores de referência (sem qualquer ofensa aos que lá militam) não se compreende porque razão a mudança constante de treinadores. Quanto custará essa impaciência?

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