Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os ganhos da paz

05 de Abril, 2018
Contamos ontem 16 anos desde o dia em que foram rubricados os acordos de paz, colocando uma pedra sobre um passado de triste fama, que evolveu o país numa guerra fratricida, que, em resumo, mais não fez senão atrasar o desenvolvimento. Aliás, algo positivo nunca se podia esperar de um conflito. Se for o caso podemos fazer recurso a exemplos vários. Entretanto, embora ainda curto o período de acalmia entre os angolanos, já se verificaram várias acções positivas, que seriam impensáveis na realidade belicista. Estas acções se fizeram sentir em vários sectores da nossa sociedade, sendo o desporto um destes. Claro está que em Angola o desporto foi sempre o sector mais vital, mesmo nos momentos mais críticos. Mas também estaríamos a macular a verdade se dissermos aqui que não beneficiou com o estabelecimento da paz
Com o fim do conflito armado e reduzido o orçamento para o pelouro da defesa, houve um desafogo financeiros noutros sectores, que foram conhecendo investimento aqui e ali. O desporto teve benefícios de vulto neste curto intervalo, particularmente no que se refere à criação de infra-estruras. Isto ninguém ousa colocar dúvidas- mesmo que se revele avesso à política de quem governa. Estádios de futebol e pavilhões multiusos, construídos de raiz, estão aí como resultado do \"boom\" que o sector desportivo conheceu nos últimos 16 anos. Na fase anterior Angola assumiu a organização de diferentes eventos, dos quais se pode destacar os II Jogos da África Central(1981) e os Afrobasket 89 e 99, mas nunca se pensou na construção de novos espaços desportivos para o efeito. Mas o clima de paz possibilitou a construção de novas infra-estruturas para receber todos eventos desportivos organizados depois de Abril de 2002. Foi assim com o Afrobasket\'2007, foi assim com o CAN\'2010, e não foi diferente com o Campeonato do mundo de hóquei em patins em 2013. Num outro quadro político e vivencial talvez não tivesse sido possível. Fora isso, houve ganhos noutros aspectos. Por exemplo, no plano competitivo, diga-se de assarem, o Girabola ganhou uma lufada de ar fresco. Passou a disputar-se de forma mais saudável e regular, isto é, sem os malditos \"engarrafamentos\" de jogos em atraso, quando a locomoção das equipas dependia unicamente da companhia de bandeira, perante o risco que envolvia a circulação por terra.
Equipas como o Recreativo do Libolo, por mais organização administrativa que tivesse, não teria como participar no Girabola em face da sua condição residencial. Tudo hoje está facilitado, porque respira-se no país novo ar, como resultado do bom senso a que os angolanos chegaram, após reconhecerem no diálogo entre as partes desavindas a única saída airosa de um cenário funesto e lúgubre.

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