Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os Jogos da CPLP

05 de Junho, 2014
Dissemos em ocasiões anteriores que organizar um acontecimento desportivo não obriga necessariamente a ganhá-lo no campo. Pois, em situações do género, existem várias formas de se sair vitorioso. E o nosso país tem sido vitorioso nas competições que organiza, mesmo vendo o troféu de campeão a luzir nas mãos de outras nações.

Ganhou com a organização do CAN 2010, ainda que o sorriso rasgado tenha sido do Egipto, ganhou com o mundial de hóquei em patins em que a Espanha foi a digna campeã. Ganhou como? Alguém, com toda a justiça, pode colocar esta inquietação. Ganhou em termos de prestígio internacional. As boas referências que se fazem no fim de qualquer prova desportiva de vulto por aqueles que, tendo vindo de outras paragens, conviveram connosco durante dias e semanas, transmitem ao organizador o conforto e o sentimento de que, não tendo ganho no campo, na mesma saiu a ganhar.

De resto, acabam enaltecidas as suas potencialidades turísticas, o seu nível de crescimento em diferentes sectores da vida nacional, bem como a capacidade de organização demonstrada. Isto é o que às vezes acaba por ser mais importante, capaz de levar à conquista de níveis de confiança que permitem no futuro assumir outros eventos de grandeza desportiva.

Aliás, bem vistas as coisas, depois de o país ter organizado em 2007 o Afrobasket, em 2010 o Campeonato Africano de Futebol das Nações e em 2013 o Mundial de hóquei em patins, serviu-se suficientemente em termos de infra-estruturas, sendo hoje provavelmente o país da África Austral mais bem servido neste campo a seguir à África do Sul.

Ontem, quando se falasse em campos de futebol com as condições recomendadas pela FIFA, olhava-se de imediato para a Cidadela, Ferroviário, Senhora do Monte, Cacilhas e Tafe. Hoje o número elevou-se, aumentando as opções. Quanto aos pavilhões, apenas a Cidadela e os seus anexos entravam nas contas. Hoje, o país está cheio de multiusos.

Esta é sem dúvida uma particularidade que nos leva a acreditar no êxito dos Jogos da CPLP, marcados para o mês de Agosto e que estão a ser preparados com esmero pelas autoridades angolanas. Aliás, Angola não tem como não caprichar, sendo uma forma de justificar o que aludimos mais atrás, ou seja, a sua maturidade em termos de organização.

Não foi sem razão que tão-logo São Tomé e Príncipe manifestou indisponibilidade em organizar o certame Angola respondeu prontamente em socorro do país irmão. Nesta altura, criada pelo Ministério da Juventude e Desportos a comissão preparatória dos Jogos, não temos como não ter fé no êxito do evento. Até porque os Jogos da CPLP não têm a dimensão de outros eventos que tiveram um estrondoso êxito em termos de organização.

Portanto, estamos na expectativa de que cheguem os jogos. As nossas selecções nas disciplinas participantes trabalham na elevação dos níveis competitivos para fazer face às exigências do torneio. Pois, embora tenhamos dito que a boa organização é por si já um êxito, também erguer um troféu ou colocar ao peito uma medalha de ouro dá outro gozo e eleva o ego.

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