Jornal dos Desportos

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Opinio

Os mesmos problemas

29 de Setembro, 2018
Angola está na corrida do CAN de 2019, cuja fase final tem os Camarões como país sede, naquela que marca a viragem para a organização da prova em anos ímpares, decidida pelo órgão que rege o futebol continental, neste momento em tempo de reorganização, após a saída do então presidente \"vitalício\" Issa Hayatou, e com a eleição do malgaxe Ahmad Ahmad para a sua presidência.
A estreia amarga dos Palancas Negras, com a derrota em Ouagadougou diante do Burkina Faso, deu lugar a um clima mais ameno, neste momento, consumado que foi o primeiro triunfo do combinado nacional frente ao Botswana, para a segunda jornada. O resultado coloca, desde já, a selecção angolana na rota das equipa com fortes pretensões à qualificação.
O jogo com a Mauritânia, no dia 12 de Outubro, é de transcendente importância para as suas aspirações. Os mauritanos ocupam a primeira posição do grupo, com seis pontos, mais três que angolanos e burkinabes logo a seguir, e conseguiram isso depois de desalojarem o Burkina Faso da liderança, com um triunfo caseiro.
É fácil constatar, pois, que diante deste quadro, ao conjunto nacional apenas um resultado interessa, a vitória. Com um triunfo no 11 de Novembro, as coisas no grupo ficam mais equilibradas, isso na eventualidade do Burkina Faso superar o Botswana, equipa que ainda não venceu nesta corrida. Angola, Mauritânia e Burkina Faso ficariam todas com 6 pontos, o que daria uma segunda volta interessante no grupo.
Em face de disso, era de se esperar que os Palancas Negras tivessem o melhor em termos de preparação, a começar pelo usufruto de um recinto fixo, para o seu treinamento.
Ao invés do desejado, os Palancas treinam como nómadas, hoje aqui, amanhã ali. Por cada sessão de treino, no Estádio dos Coqueiros, a FAF tem de pagar cerca de 96 mil kwanzas, uma situação que não pode arrastar-se, dado que o próprio organismo federativo também clama por dinheiros, a igual de grande parte das agremiações desportivas do país.
É certo que, tanto a administração do Estádio 11 de Novembro como a dos Coqueiros, precisam de receitas para minimizar os custos da respectiva manutenção destes recintos desportivos, custos que não são poucos, é bom que se diga. Mas, também é certo que estes recintos constituem património do Estado, pelo que tem de se arranjar um meio termo para a sua utilização, quando se tratam de Selecções Nacionais.
Angola tem aspirações na corrida para o CAN e não só, e a Selecção Nacional não pode viver sempre como pedinte, em qualquer situação.
Uma boa preparação é o esteio para a obtenção de bons resultados. E o jogo contra a Mauritânia é, de facto, de extrema dificuldade para o conjunto nacional, que não deve perder pontos em casa, para manter intactas as suas ambições.

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