Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os nossos jogos

26 de Julho, 2014
Aguardados com redobrada expectativa eis aí os IX Jogos Desportivos da CPLP. A cerimónia de abertura decorre hoje, no pavilhão do Kilamba, esperando-se que venha a ser marcada por um ambiente de muita cor e alegria, com muita pompa e circunstância.

Centenas de desportistas, idos de diferentes países que se comunicam em língua portuguesa tomam parte no certame, devendo, durante os dias da competição, trocar experiências, para lá do espírito competitivo que, parecendo o essencial, não é.

Em torneios como este, os concorrentes são muitas vezes obrigados a colocar de parte o espírito competitivo, privilegiando o salutar convívio de irmandade cultural, que secularmente os une. E “Angola-2014” não é diferente.

É evidente que, entre os membros da lusofonia, desportivamente falando, existem aqueles que se destacam em algumas modalidades e que procuram, no quadro do espírito competitivo, vincar a sua classe e chamar a si a hegemonia. Este pode ser o caso do Brasil e Portugal no futebol e de Angola no basquetebol.

Mas o desporto é mesmo isso. Dizem alguns que é uma festa. E nesta disputa, independentemente de quem venha a sair vencedor, no fundo, a vitória tem sempre um cariz colectivo. É de todos aqueles que, pelos quatro cantos do mundo, sejam eles europeus, asiáticos, americanos ou africanos, se expressam na língua de Camões.

Por isso mesmo é que não esperamos dar destaque, individualmente, a este ou àquele país da comunidade. Esperamos, sim, que todos mereçam manchetes, independentemente das bandeiras que venham a hastear e a defender. O que queremos é uma disputa salutar e, acima de tudo, muito fair-play.

Os países da CPLP, com as suas especificidades à parte, têm, do ponto de vista desportivo, muito em comum. Os seus ídolos encantam a todos. Tanto é assim que, em campeonatos do mundo de futebol, quase todos os lusófonos puxam pelo Brasil ou Portugal, que os nomes de Cristiano Ronaldo e Neymar são pronunciados com carinho pelos lusofalantes.

Por aqui se entende, pois, que muitos de nós, angolanos, tenhamos ficado de uma forma ou de outra agastados com o fraco desempenho das selecções portuguesa e brasileira no recém-terminado campeonato do mundo.

Nenhuma das duas selecções tinha símbolos de Angola, mas os angolanos queriam vê-las em grande plano na prova, apenas por uma questão de influência linguística, história e cultural.

Por tudo isso, nos Jogos que hoje começam, a competição não está em causa, sendo de todo legítimo que os consideremos os "jogos da irmandade", pese embora algumas diferenças conceptuais que possam existir entre uns e outros povos.

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