Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os nossos relvados

28 de Fevereiro, 2017
O Girabola ganhou há dois anos, mais expressão mediática, com a compra pela ZAP dos direitos televisivos. E, com isso, a prova é hoje mais exposta, ficam a descoberto as melhores e as piores situações. Foi por conta dessa exposição, que a tragédia do Uíge chegou aos quatro cantos do mundo, em particular, em países com mais apego ao futebol.

Também por conta da exposição mediática, o Girabola passou a ser uma prova escrutinada, que exige dos organizadores, no caso a Federação Angolana de Futebol, mais aprumo, cuidado com os detalhes, e de tudo à volta da competição.Porém, os relvados dos nossos campos, são uma publicidade nefasta para a competição.

Quem assistiu ao jogo o 1º de Maio de Benguela - 1º de Agosto, com vitória para os militares, deve ter visto o estado do relevado, que em nada dignifica a competição, tão pouco o País que organizou há sete anos a maior prova africana de futebol, construiu quatro Estádios novos e reabilitou mais de sete, e Benguela foi um dos mais beneficiados.

A par do Estádio do O\'mbaka, foi modernizado o Estádio da Académica, do São Filipe (propriedade do Nacional), o Estádio Nacional do 1º Maio de Benguela.

Era suposto, que o 1º de Maio de Benguela assim como outros, que beneficiaram do gesto do Estado, encontrar alternativas para a manutenção dos recintos. Infelizmente, parece não ter tido essa preocupação, ou faltou verbas, como sempre.

E, apesar disso, a Federação Angolana de Futebol aprovou os tais Estádios para o Girabola2017, com relvados que são irmãos gémeos de capim. Não só é feio para a imagem do futebol nacional, igualmente é para a qualidade e a integridade física dos jogadores.

Os jogadores passam o tempo a chutar o ar, ao invés de relvado. Muitos dos quais acabam por sofrer lesões, porque ou pisou em falso, ou ainda porque pontapeou o barro.

A qualidade que vemos noutras paragens, depende de todos esses factores: estado dos relvados, capacidade técnica, logística e tudo o resto. Quando os organizadores do Girabola relegam essas situações para o segundo ou mesmo último lugar, é difícil atingir a qualidade expectável.

Consideramos que tratar de uma relva não leva um mês, e o nosso Girabola, normalmente, pára por mais de um mês depois do fim da competição.

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