Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os nossos treinadores

21 de Março, 2015
A falta de consideração aos treinadores angolanos e o caso de Paulo Saraiva são entre muitos os que ocorrem nos clubes. Também aconteceu no Atlético Sport Aviação (ASA), com o treinador Sami Matias ser vítima.

Nos piores momentos dos aviadores, que atravessaram não apenas uma longa crise directiva mas também financeira, Sami Matias segurou o barco, conduziu a bom porto, de acordo com as condições postas à sua disposição.

Aliás, o facto dos profissionais da Rádio Cinco o terem premiado com a distinção de treinador revelação de 2014 diz quase tudo. Ou devia dizer. Incompreensivelmente, quando se pensava que a direcção do ASA fosse manter o treinador assim como oferecer melhores condições, eis que foram ao Brasil buscar um outro treinador com quem achavam que Sami Matias devia trabalhar.

Na prática é um atestado de incompetência implícito que a direcção do ASA estava a passar ao treinador Sami Matias. Em defesa da sua dignidade, abandonou o clube, assume hoje a condução do futebol jovem do Interclube.

Paulo Saraiva viveu a mesma situação no Domant FC, a quem quiseram impor um treinador, preparador físico precisamente, uma usurpação das suas competências de treinador. Preparador físico e treinador de guarda-redes devem ser da inteira confiança do treinador principal.

Por conta disso, Paulo Saraiva tem mais do que razão ao bater o pé. Qualquer treinador que se preze tem de ter a mesma atitude. É uma questão de dignidade, honra e sobretudo valorização da sua competência.

Dessas atitudes dos dirigentes do futebol nacional pode-se reter uma lição: quando os clubes não têm condições financeiras elegem os treinadores nacionais, mas quando têm, preterem sempre os angolanos, mesmo sendo menos caros do que os outros.

Não é difícil vermos que volta e meia, os clubes depois aparecem publicamente a queixarem-se de falta de dinheiro. Não é uma questão de defesa dos treinadores nacionais. Há muitos que não merecem qualquer defesa, mas esses mostraram por que razão devem ser respeitados.

A solução desse problema está nas mãos da Associação de Treinadores de Futebol. À partida, Paulo Saraiva, não saiu definitivamente da equipa do Bengo. Ele está suspenso por tempo indeterminado pela direcção do clube. Mas é quase um dado adquirido que a rescisão é o caminho a seguir.

A acontecer não vai ser nada novo, ou que cause estranheza àqueles que acompanham a evolução do nosso futebol. O treinador deve sair tão somente, em defesa da sua honra e dignidade profissionais.

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