Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os tentculos da crise

29 de Dezembro, 2016
Os efeitos da crise financeira em que está mergulhado o país, de acordo com especialistas do ramo, é resultante da baixa do preço do crude no mercado internacional, e que se ressente a todos os níveis. O sector do desporto não fica isento: vê os seus programas comprometidos e o exercício das Federações, Associações e clubes mais apertados e difíceis.

Assiste-se, pois, à carência de quase tudo. Aliás, nos dias que correm devia tirar-se o chapéu aos clubes que militam em competições onerosas, como é, à guisa de exemplo, o campeonato nacional de futebol da primeira divisão. Com efeito, é um torneio bastante exigente, e não há dúvidas que as direcções de clubes intervenientes fazem um esforço colossal para manterem as equipas em prova. Atenção: não legitimamos, com isso, as ameaças de desistência de certas equipas com a prova em curso.

Neste quesito, e sendo a prova bastante exigente, primeiro, deviam os clubes elaborar um estudo de viabilidade ou certificarem-se das suas capacidades financeiras antes de se atreverem a entrar para o Girabola. Se o "lenga -a -lenga" de se retirar da prova vem dos tempos das vacas gordas, é um dado certo que a situação pode vir a ser mais grave ainda no período que se está a atravessar, em que até as migalhas para a boca escasseam.

O intróito não surge só. Vem à propósito do que pode ser a edição do presente ano da tradicional prova pedestre São Silvestre. Razões de ordem financeira fazem com que este ano a corrida esteja reservada a atletas nacionais, contrariamente ao que nos acostumamos ao longo dos anos. Por aqui, dá para perceber melhor, que a situação não está para menos.

Oxalá, não se chegue à extinção da corrida. Para já, com a ausência das lebres etíopes e quenianas, a prova não vai ter o mesmo fulgor dos outros anos, sem desprimor aos nossos fundistas, que às vezes conseguiam dar luta. Se tivermos em consideração que a última vez que a prova foi ganha por um corredor nacional foi em 2003, quando Pedro Dala cruzou a meta em primeiro lugar, podemos concluir que não vai ser uma corrida por aí além.

Mais: quando o corredor huilano venceu a prova, a edição também não contou com o concurso de estrangeiros, tal como agora, foi disputada apenas por atletas nacionais. Convenhamos, tratar-se de uma situação forçada, não é vontade da própria organização da corrida que sejam as coisas assim. Aprendemos na vida que não se fazem omoletes sem ovos.

Portanto, enquanto o país estiver nesta encruzilhada, muitas coisas vão estar sujeitas a ligeiras alterações, adaptando-as às condições do momento, ainda que seja uma situação transitória ou provisória. Pode-se alimentar a esperança de que em 2017 as coisas sejam melhores. Pode ser que até lá, haja alguma evolução na vida económico - financeira do país. A hora é de definição de prioridades.

E, no caso presente, o que se achou conveniente é realizar a prova só com atletas nacionais. Também tem alguma vantagem. Portanto, vai ser mais uma oportunidade de outro angolano entrar na história como vencedor da São Silvestre, o que ultimamente não tem sido possível com corredores de outras paragens.

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