Jornal dos Desportos

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Opinio

Palancas claudicam

14 de Novembro, 2015
A Selecção Nacional perdeu ontem diante da sua similar da África do Sul por 3-1. O jogo que se disputou no Estádio de O'mbaka, na cidade de Benguela, contou para a primeira-mão da última eliminatória de acesso à fase de grupos qualificativos ao próximo campeonato do mundo de futebol que se disputa em 2018 na Rússia. Será que interessa evocar aqui as razões que estiveram na base da derrota?

Pensamos que não. Pois quando o mal está consumado, muitas vezes não interessa cair em lamúrias. Aliás, faz todo sentido a máxima popular segundo a qual não se deve chorar pelo leite derramado. A derrota, numa perspectiva analítica mais realista acabou apenas por ser reflexo daquilo que é o nosso futebol em termos de qualidade e nível.

O adversário que não é de outra galáxia, porque há muito perdeu a expressão competitivas que ostentam os maiores do nosso continente, como são os casos do Gana, Camarões e Costa do Marfim, para só citar estes, não foi superior. No futebol soe dizer-se que as equipas só jogam aquilo que o adversário permitir jogar. Ao contrário fica-se pelo meio termo.

Na verdade, a selecção angolana foi demasiado permissiva. Permitiu que o adversário assumisse as rédeas do jogo, denotando em algumas circunstâncias na quadra uma ousadia como se fosse ele o anfitrião. De resto, muito cedo ficou denunciada alguma fragilidade da turma angolana, sobretudo pela forma infantil como foi não só consentindo os golos, mas como também como foi sendo dominado na quadra.

Numa eliminatória a duas mãos sofrer três golos em casa é assumir o fracasso à partida. Pois assim feitas as coisas Angola precisará ganhar no jogo da segunda-mão por 3-0, 4-1 ou na pior das hipóteses 3-1 para igualar a eliminatória, o que é na verdade uma empreitada que não se prevê fácil tão pouco alcançável para uma equipa que no próprio reduto é incapaz de reagir à agressividade adversária.

Seja como for, e como se costuma dizer que a esperança é a última a morrer, pode ser que consiga fazer o milagre e corrigir a pálida exibição de ontem. É uma questão de acreditar e mais do que isso trabalhar nos aspectos em que se esteve mal a ver se no próximo jogo a equipa jogue de forma mais solta. Pois, no jogo de ontem, viu-se, esteve muito presa nos movimentos.

Pensamos que como uma equipa que se jogava pela terceira vez em tão pouco espaço de tempo, a selecção devia estar mais à vontade por se tratar de um adversário cujos movimento já são conhecidos, apesar de do ponto vista da estratégia os técnicos terem sempre a tendência de baralhar as cartas.

Em todo caso, a esperança ainda não morreu em definitivo. Pois, se para o CHAN conseguiu-se ganhar em Pretória por 2-0 quem sabe o 3-0 também seja alcançável. Vamos acreditar. Mas, pelo sim pelo não para os Palancas a Rússia começa a se vislumbrar mais distante.

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