Jornal dos Desportos

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Opinio

Palancas e o Girabola

07 de Agosto, 2017
O anúncio da convocatória dos jogadores para os Palancas Negras, concernente ao jogo da derradeira eliminatória para a fase final do CHAN, com o Madagáscar no Quénia, no próximo ano, e o começo da preparação do conjunto a partir de hoje para o encontro da primeira -mão, no domingo, implica nova paragem ao Girabola por cerca de 15 dias, o que é sempre susceptível de criar mal-entendidos e incompreensões entre os homens do futebol, particularmente, daqueles cujas equipas estão engajadas, no momento, na disputa do Girabola

Os compromissos da Selecção Nacional são sagrados, os clubes também têm os seus interesses, daí, que essas paragens levem sempre a fricções nada agradáveis, para a imagem do próprio futebol no país.

É certo, que o Girabola deve ser dos campeonatos com mais paragens, mas num outro ângulo de visão, há que salvaguardar os interesses da equipa de todos os nós, ademais, nessa tentativa de resgatar o prestígio perdido há muito, por força dos maus resultados nas competições internacionais, tanto nas provas continentais como nas organizadas pela FIFA, particularmente, as que apuraram os representantes de África na maior cimeira mundial.

Depois do último mundial, o futebol nacional perdeu fulgor, identidade, andou à deriva e à procura de rumo, mesmo com contratações feitas em termos de treinadores para os Palancas Negras, foram apostas infrutíferas do órgão reitor.

Nem mesmo no CAN que Angola organizou pôde subir ao pódio, embora, em termos de investimento tenham ficado os Estádios construídos, estes, também sem a devida manutenção.É legítimo, por isso, que o novo elenco federativo queira fazer a competição continental reservada aos jogadores locais, uma rampa de relançamento do futebol nacional além-fronteira, com os melhores resultados possíveis que permitam chegar aos grandes palcos africanos.

Daí, pois, essa insistência nas paragens do Girabola, que na sua óptica e na do corpo técnico da selecção, podem permitir uma melhor preparação do conjunto, mais a mais, quando está a 180 minutos de marcar presença no torneio do Quénia. As incompreensões resolvem-se com o diálogo, pelo que os clubes e o órgão respectivo da Federação Angolana de Futebol devem sentar-se sempre à mesma mesa, para encontrar sempre o meio termo para as situações complicadas.

Os Palancas Negras precisam do apoio, para saírem bem na fotografia nos seus compromissos internacionais, mas o Girabola precisa de regularidade possível, para que as sucessivas paragens não belisquem a qualidade.

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