Jornal dos Desportos

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Opinião

Palancas sem técnico

06 de Dezembro, 2017
Pouco mais de um mês nos separa do abrir das cortinas no CHAN de 2018 que nesta quarta edição tem como palco quatro cidades de Marrocos, país que surgiu como alternativa à organização gorada do Quénia, que perdeu o direito de albergar a competição por questões organizativas.
A prova é reservada apenas a jogadores que actuam nos respectivos campeonatos locais, surge como uma tentativa da Confederação Africana de potenciar o futebol no continente, para dar visibilidade aos jogadores que têm dificuldades de aparecer na principal prova continental, ofuscados por estrelas que evoluem fora do continente e que quase sempre são opções certas dos respectivos seleccionadores nas suas equipas nacionais.
Em Marrocos, Angola marca a terceira passagem pelo CHAN, em que chegou a ser finalista vencido numa das edições, na última participação foi afastada logo na fase de grupos.
Um cenário que pode repetir-se, até ao momento a participação angolana está ensombrada pelo facto da Selecção Nacional não ter sido convocada e não ser conhecido o nome do novo seleccionador nacional que deve substituir o treinador Beto Bianchi que conseguiu qualificar o conjunto para a fase final, e que não teve luz verde do seu clube, Petro de Luanda, para continuar ao serviço da selecção.
Por esta altura, e pelos factos acima descritos, o clima que futebol nacional vive não é dos melhores, até fazem-se maus augúrios quanto à prestação dos nossos Palancas Negras na prova de Marrocos.
E, com toda razão. A Federação Angolana de Futebol está com dificuldade de anunciar o nome do novo treinador, para o arranque dos trabalhos da equipa nacional, mas num outro ângulo, não mede esforços para organizar com êxito a gala no próximo dia 16, com a pretensão de trazer grandes figuras do futebol mundial.
Nada temos em contrário! Pensamos que por esta altura todas as energias deviam estar concentradas na preparação da Selecção Nacional. Ao ver protelada a divulgação do nome do novo seleccionador nacional, os Palancas Negras perdem tempo na preparação, até porque há que contar sempre com imprevistos, por exemplo, a eventual relutância de alguns clubes de cederem os seus jogadores, aliás, não estão obrigados a isso, dado que a prova não se enquadra no calendário - FIFA.
A Selecção Nacional não é, infelizmente, uma \"máquina\" bem oleada que dispense longas concentrações e muitos treinos para fazer brilharetes. Mesmo as grandes selecções do mundo precisam de treinos em conjunto, para atingirem os objectivos que pretendem.No desporto e como tudo na vida, os êxitos são preparados e a ausência de uma preparação cuidada é meio caminho para o fracasso.

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