Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Parente pobre

02 de Junho, 2018
Todo aquele que tinha, entre finais dos anos 70 e princípio da década seguinte, uma noção vaga das coisas pode corroborar, se dissermos que a projecção do nome de Angola na arena mundial ficou a dever-se fundamentalmente à acção prática da actividade desportiva. Não deve ser nenhum desatino aferir, que em determinada época do percurso histórico do nosso país, o desporto jogou um papel determinante.
Dilacerada pelos horrores da guerra, que era movida pelas forças invasoras sul africanas, e pelo inimigo interno, a imagem que se tinha de Angola pelo mundo, era de um espaço territorial terrível em que se sobrevivia à custa de muito sacrifício. Logo, não era convidativo a ninguém. Contudo, por via do desporto conseguia-se passar outra mensagem e chamar os mais cépticos e pessimistas à razão.
A participação das nossas selecções em competições regionais, no quadro da chamada \"política de amizade e solidariedade para com os outros povos\" que comungavam o mesmo princípio ideológico, mostrava ao mundo que Angola, apesar do esforço que conjugava para afastar para longe os tentáculos da guerra, era um Estado soberano com uma vivência que não fugia à dos outros povos em clima de paz.
Aliás, a determinação competitiva que provinha de resultados bem conseguidos, mostrava o que era o nosso país. E, assim, passou a ser conhecido, atraiu os outros povos. Nem tudo era guerra. Havia o outro lado positivo, confirmado com a presença, pela primeira vez, nos Jogos Olímpicos de Moscovo, em 1980.
Podíamos por aqui aferir, que a par do Ministério das Relações Exteriores, o pelouro do Desporto, que na época não era dirigido por um ministério, mas por uma Secretária de Estado, foi dos mais determinantes e acutilantes na promoção da imagem de Angola, para lá das nossas fronteiras. Por isso, é admirável que hoje tenha quase ganho o estatuto de \"parente pobre\" do sistema.
É para esse entendimento, que nos conduzem as coisas más que ocorrem no sector. A gritante desatenção às selecções nacionais, em quase todas modalidades, mesmo em véspera de competições internacionais. A permissividade perante a degradação de infra-estruturas que não custaram pouco aos cofres públicos, etc. etc.
Agora, a única pista de tartan do país ( Estádio dos Coqueiros), está com os dias contados, porque a manutenção não existe, faz tempo. Que rumo se pretende para o desporto nacional? Pelo que descrevemos, mais atrás, escapa à percepção de quem direito estar nem aí para o desporto, como quem diz: \"já não é uma arma que me sirva.\" Até onde chegamos?!...


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