Jornal dos Desportos

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Opinio

Passos seguros

08 de Setembro, 2015
Longe de ter sido um passo trémulo na sua caminhada para a fase final do CAN do Gabão em 2017, o empate arrancado pelos Palancas Negras no reduto do Madagáscar, domingo último, para a segunda jornada do grupo B de qualificação, acabou por seguro, se atendermos ao actual quadro do próprio grupo e da complexidade da própria fase de qualificação.

É evidente que uma vitória seria melhor que um empate, e isso não oferece qualquer tipo de dúvida. Mas, é preciso ter em conta que os Palancas Negras não correm sozinhos na tentativa de chegarem ao Gabão, no grupo em que estão inseridos há outras três selecções com as mesmas aspirações.

Uma vitória daria à Selecção Nacional um pleno de cem por cento de aproveitamento e com uma passada de três pontos à frente dos mais directos perseguidores, República Centro Africana e República Democrática do Congo, o que nesta fase seria, de facto, ouro sobre azul, mais a mais em função dos próximos jogos equipa nacional.

Ainda assim, ter chegado ao fim da segunda jornada na condição de líder, à frente dos dois conjuntos atrás assinalados, com um ponto de vantagem, dá aos Palancas Negras a confiança necessária para o próximo compromisso que será com os congoleses no reduto destes. Salta pois à vista que a Selecção Nacional tem condições de terminar a primeira volta na condição em que está, líder do grupo, superando o conjunto da RDC que à partida surgia como o principal favorito, mas cuja trajectória foi beliscada com a derrota fora de casa diante da RCA, um resultado que fez os Palancas Negras bater palmas de alegria.

Em boa verdade, era pouco crível que os centro-africanos, após serem goleados na estreia, no Lubango, pela Selecção Nacional, fossem tão audazes ao ponto de reduzirem o vizinho congolês quase à insignificância, com um resultado que lhes avivou as esperanças de continuarem na luta. Só com passos seguros é que a selecção angolana poderá lograr o objectivo de chegar ao Gabão. Passos seguros que se traduzem em pontuar fora de casa e conseguir o pleno de vitórias nos jogos em situação de visitante, este que serão decisivos para o desfecho do grupo, pelo menos no que diz respeito ao apuramento das equipas para a fase final.

Num campo inóspito os Palancas Negras não conseguiram mostrar qualidade no seu futebol, lá isso é verdade, mas esse tipo de adversidade deve dar tarimba ao conjunto, uma vez que a equipa desconhece o que terá pela frente, nas duas deslocações que ainda irá efectuar para esta campanha, ao reduto da República Democrática do Congo e da República Centro-Africana. O resultado valeu mais que a exibição, pois Angola conquistou um empate com grande sabor de vitória.

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