Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Patrocnio ao ASA

09 de Março, 2016
A informação não tem carácter oficial. Pelo menos a crer nas palavras do presidente de direcção Elias José. Mas comenta-se que a companhia de bandeira, a Taag, patrocinadora do clube antes com o mesmo nome, e agora ASA, vai retirar o apoio que presta ao Grupo Desportivo, que a acontecer vai ser o princípio do fim de uma agremiação com alguma tradição no mosaico desportivo angolano.

Com recurso à história, o ASA é uma colectividade desportiva cuja fundação remonta à época colonial, sempre pertenceu à companhia de aviação nacional desde os velhos tempos da DTA. É evidente que para tudo existe um princípio e um fim, é normal que no quadro do novo exercício de gestão tomem decisões que coloquem à parte a actividade desportiva.

Olhando para o momento económico do país, em que quase todos andam aos gritos para poderem sustentar-se, a ser verdade não estamos a ver o clube do aeroporto a sobreviver, sabendo como se sabe quais são as obrigações financeiras da actividade desportiva de alta competição. A notícia não é boa e estará de certeza a causar algum mal estar no seio da direcção do clube.

É certo que o prestígio conquistado pelo clube e o seu historial, o fim não deve ser coisa feita assim de ânimo leve. Vai certamente sensibilizar a sociedade desportiva, e o próprio Ministério dos Transportes deve ter uma palavra a dizer. Aliás, o que no mínimo pode vir a acontecer é a Taag deixar de arcar com a “sponsorização”(financiamento) do clube sózinha e apelar o envolvimento de outras empresas do sector.

É certo que aqui coloca-se a questão da marca, que nada tem a ver com as outras empresas do sector. A não ser que o clube mude de designação e passa a chamar-se Trasnpoclube, referência que abarcava outras empresas do ramo dos transportes. São só ideias, pois a própria Taag cuja gestão está entregue aos Emyrates e ao Ministério dos Transportes devem saber como sair desta.

Mas falando a verdade, a notícia não é agradável. Quem acompanha a vida desportiva do país desde a ascensão à independência nacional, deve saber como o nosso desporto, o futebol em particular perdeu a vitalidade do outro tempo, quando grande parte de clubes eram patrocinados por grandes empresas estatais.

Aliás, o fim de muitos clubes que fizeram história resultou disto mesmo. Foi assim com o Mambrôa do Huambo, que dependia do Ministério do Comércio Interno, do MCH do Uige, que dependia do Ministério de Construção e Habitação ou ainda do 1º de Maio que era “sponsorizado” pela África Textil. Para além destes emblemas havia outros que desapareceram dos “radares” mal foi retirado o apoio por essas empresas.

Será o ASA a próxima vítima? É uma questão a aguardar. Mas para já, diga-se em abono da verdade, que o quadro não é animador, sobretudo agora que as circunstâncias tornaram-se mais exigentes face ao custo elevado de quase todos os produtos e serviços.Vamos esperar que haja uma saída airosa da situação.

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