Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Pensar grande

22 de Novembro, 2018
Estar de corpo e alma no desporto não implica andar, necessariamente, na alta-competição. Existem outras formas de participação activa na vida desportiva, longe do plano competitivo. Nas sociedades organizadas, existem estruturas ligadas apenas à formação, e muitas vezes as mesmas chegam a ter mais reputação em relação a clubes que competem, com alguma regularidade, nos principais campeonatos.
Aliás, não vai para muito tempo, tivemos aqui no país escolas que fizeram nome, tal como é o exemplo dos Flaminguinhos da Terra Nova e do Jokasport, que, entretanto, acabaram extintas, por razões que nos são alheias. Nos dias que correm, só diz que nunca ouviu falar em AFA - Academia de Futebol de Angola ou na Escola Norberto de Castro, quem anda no futebol caído de paraqueda.
Acontece que, nos últimos tempos, certos dirigentes do nosso desporto caíram na tentação de supor, que as suas acções só podem ser reconhecidas, estando os clubes que dirigem a competir ao mais alto nível. Daí, a avidez de se qualificarem para o campeonato nacional de futebol da primeira divisão a qualquer custo, onde muitas vezes acabam mal sucedidos, como temos vindo a verificar.
Entretanto, existem clubes, cujo objecto social é fundamentalmente a formação, nunca cogitando sequer a possibilidade de abraçar a alta-competição. A estes os nossos aplausos. Pois, conseguem formar para potenciar outras agremiações e as próprias selecções nacionais, sem se submeterem à tortura psicológica de que tem de fazer matemáticas frequentes, a ver como suportar a equipa no campeonato.
O JGM do Huambo, que o ano passado desistiu do Girabola, depois de ter aguentado uma edição com muitos apertos, terá chegado à conclusão de que ainda pode jogar um papel útil no futebol angolano, mesmo estando fora do seu principal campeonato, apostando na formação, que deve começar, naturalmente, na sondagem e prospecção de talentos.
O clube do Huambo está em vias de celebrar um acordo de parceria com uma formação brasileira, para onde vai passar a enviar atletas seus, com objectivo de obter recursos financeiros, para a materialização dos projectos que tem em carteira, sendo que os primeiros três jovens seguem já no próximo mês de Dezembro.
Na verdade, a iniciativa é de louvar, pois, e como disse o seu responsável, Jorge Magrinha, ao Jornal de Angola, os ganhos eventuais a advir deste convénio serão, não só do clube, mas também do país, já que em caso de sair deste projecto jogadores feitos, também será benéfico para as nossas selecções nacionais.
Devemos considerar esta uma forma adulta e inteligente de se estar no desporto. Pensar antes de tudo na formação, ao lugar de assumir como prioridade a alta-competição. O Girabola deixou de ser uma competição barata, para se transformar numa prova milionária. Logo, não ao alcance de todos, bastando para o efeito, olhar-se para o volume de dificuldades por que passam os seus actores e pelas insuportáveis ameaças de desistência a meio da prova. Isto é pensar grande...


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