Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Polmica sem quartel

29 de Junho, 2017
A polémica, em torno da dupla função do treinador Bianchi, não faz sentido na conjuntura em que se encontra a Federação Angolana de Futebol. Aliás, é uma situação transversal. Não se trata de vestir a pele de advogado da FAF, é uma abordagem realística, que a consciência nos obriga a fazer.

Não é , aliás, a primeira vez que os Palancas Negras têm um treinador nessa situação. Já tivemos com António Clemente, brasileiro que orientou os tricolores na década 80, Oliveira Gonçalves também experimentou, por pouco tempo, mas fê-lo quando assumiu o Interclube, em 2001, e perdeu a final da Taça das Taças Africanas. Romeu Filmeon também, ainda que, por pouco tempo.

A questão colocada à mesa é financeira, e não é outra . A Federação Angolana de Futebol anda de \"tanga\", não é capaz sequer de honrar os ordenados dos seus funcionários administrativos, quanto mais uma equipa técnica cuja despesa nunca fica abaixo de quarenta mil dólares.

Quem na realidade podia reclamar é o Petro de Luanda, que aceitou \"repartir\" as atenções não só do seu treinador, mas da sua equipa técnica, Bianchi e Flávio Amado. Os jornalistas, comentadores, e outras pessoas, que têm opinião pública, não podem fazer uma análise fora deste contexto de aperto financeiro, em que vive a Federação Angolana de Futebol.

É preciso, não derrubar de início, o edifício que se quer construir. O desejável era termos um treinador, exclusivamente, para os Palancas Negras, mas a FAF não tem condições de suportar as despesas de uma equipa técnica dessa dimensão. Se arriscar a tal opção, que pode acontecer nos próximos dias, repete-se o que se viu com o francês Hervé Renard.

Foi-se embora, por incumprimento salarial da FAF, e até hoje lamentamos a oportunidade de termos desperdiçado uma pessoa daquele calibre técnico, que nos podia trazer outras valias. Materializar um projecto com cabeça, tronco e membros, e nunca como o que se assistiu, ou seguiu após o desenlace, entre a FAF e o treinador francês.

Há momentos que apelam à sensatez, então, esse é um deles. Não se trata de ser boca -de - aluguer, ou coisa próxima! É nossa obrigação defender o bem comum, e fazer esse exercício movidos por esse espírito. Afinal, a Selecção Nacional é de todos nós, e queremos sempre o melhor.

Amanhã, é possível que as coisas mudem, e a situação financeira da FAF seja melhor do que a que se assiste. Aí sim, vai ser de bom tom exigir à Federação, que tenha um treinador, exclusivamente, dedicado aos Palancas Negras, e a supervisionar todas as demais selecções.

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