Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Posse vs crise

02 de Fevereiro, 2015
É interessante a movimentação que se regista no futebol nacional nesta altura de pré-época que, como sempre, prende as atenções dos amantes do futebol pelo facto do mercado estar em alta.

Internamente, o mercado de transferências não movimenta rios de dinheiro como acontece em algumas paragens, mas temos de convir que sempre tem o seu interesse, dado que os adeptos e sócios dos diversos clubes cá da praça querem saber das saídas e entradas de jogadores nas respectivas agremiações, um direito que lhes assiste.

Mesmo que a realização do Campeonato Africano das Nações, que decorre na Guiné Equatorial prenda todas as atenções, a verdade é que o futebol doméstico não ficou parado, e isso pode constatar-se nos amistosos que as equipas fizeram e fazem no quadro da sua preparação, com a província de Benguela eleita para muitas.

É verdade que as equipas com mais possibilidades financeiras escolheram o estrangeiro como lugar ideal para a sua preparação pré-época, o que faz todo sentido, sendo verdade e legítimo que cada um deve viver conforme as suas possibilidades. E isso acontece tanto no futebol como na própria vivência da espécie humana.

Equipas como o Recreativo do Libolo, 1º de Agosto e Kabuscorp do Palanca escolheram Portugal para, nesta altura, aperfeiçoarem a sua preparação. O Petro de Luanda escolheu a África do Sul, enquanto o Progresso do Sambizanga está a trabalhar na República Federativa do Brasil.

Tratam-se de opções que revelam o interesse de cada um dos emblemas. Pois aqui identificamos aqueles que não estão rotulados como candidatos ao título, e outros, com objectivos bem definidos. Falamos daqueles que visam essencialmente a conquista dos principais troféus nacionais, nomeadamente Girabola e Taça de Angola, e o melhor desfile possível nas Afrotaças.

Por exemplo, o Libolo tem a responsabilidade de defender o título do Campeonato, o Kabuscorp vai procurar o resgate do mesmo, sem deixar de fazer alusão ao 1º de Agosto e Petro de Luanda, eternos candidatos ao título, mas que há épocas que vêem o objectivo a passar ao lado, pese embora o investimento que anualmente é feito pelas respectivas direcções.

Num ângulo oposto, as constantes lamentações de alguns clubes sobre eventuais problemas financeiros começam a indiciar uma época bastante má para os mesmos, porquanto sem dinheiro não se fazem contratações, há dificuldade em segurar as melhores unidades que partem para outras paragens devido a melhores ofertas que têm, e ficam com dificuldades em preparar a própria época, que exige a concentração de jogadores em estágios específicos.

O futebol é isso mesmo, exige planificação atempada, mais a mais quando se trabalha para uma temporada que tem pelo meio pelo menos duas grandes competições nacionais em que os nossos clubes vão estar envolvidos. De resto, as transferências também devem ser planificadas para que haja equilíbrio nas compras e vendas de jogadores, quando se sabe que a oferta com qualidade é pouca e os clubes não têm milhões nos seus cofres para gastar como lhes agradar ao longo de uma época.

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