Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Presso e Fair Play

04 de Março, 2014
A procissão no Girabola ainda vai no adro, com a disputa de apenas duas jornadas. Apesar disso, já é notório uma certa pressão em algumas equipas, com destaque para os dois crónicos candidatos ao título, 1º de Agosto e Petro de Luanda, que têm um início de campeonato pouco animador.

Sócios e adeptos das duas equipas mostram-se indignados pelo mau início de temporada e procuram resolver a situação de modo precipitado.

Por via de pressão, tentam a destempo influenciar quem de direito a uma tomada de decisão que pensam poder resolver o problema mas que a experiência já provou nem sempre ser a melhor solução.

Falamos aqui particularmente das recorrentes “chicotadas psicológicas”, de que lançam mão as direcções dos clubes na hora de encontrar um “bode expiatório” para justificar o insucesso da equipa na competição.

No meio de muitos problemas, na maior parte dos casos são os técnicos que acabam por arcar com as consequências, recaindo sobre eles a culpa de tudo, quando à vista desarmada é possível identificar outras patologias.

Os sócios e adeptos querem ver sempre a sua equipa a ganhar e manifestam-se sempre que os resultados não lhes agrada. A imprensa tem o papel crítico de avaliação das diversas situações que ocorrem com todas as equipas, pelo que as opiniões, as análises, os comentários e mesmo as notícias funcionam igualmente como pressão para qualquer clube.

O que acontece agora com o 1º de Agosto e com o Petro de Luanda, em particular, não tem nada de novo nem de estranho. Tudo acontece pelo desânimo dos seus adeptos, que já não conseguem esconder o desgaste e frustração pelos anos que ambos os emblemas estão sem vencer o Girabola. Os militares levam uma penúria de sete anos contra quatro do arqui-rival.

Ano após ano a expectativa aumenta e no final, quando o resultado não espelha aquilo que é ansiado, o desconforto toma conta daqueles que dia-a-dia acompanham a equipa.

Não dispondo na prática de mecanismos de manifestação de vontade com efeitos imediatos, a via mais expressiva é a pressão que vimos assistindo nos últimos dias.

Com protestos, declarações inflamadas e fortes apupos à equipa técnica, jogadores e às vezes até a membros de direcção do clube, os sócios, adeptos e simpatizantes mostram o quão inconformados estão.

Mas apesar da legitimidade de que dispõem, estes actos são também uma expressão da própria liberdade que aqueles têm para fazer valer os seus direitos enquanto contribuintes do clube.

Sendo comum no futebol haver sempre alguma pressão, deve porém existir alguma ponderação nas atitudes de modo a evitar extrapolações que possam colocar em causa a integridade física dos principais protagonistas do espectáculo: jogadores, técnicos e árbitros.

O Girabola vai apenas na sua segunda jornada e mesmo que algumas equipas não tenham feito bons resultados e boas exibições não se justifica a onda de pressão que sofrem nesta altura.

É importante que as direcções dos clubes dialoguem mais com os seus sócios e adeptos e que os técnicos e atletas façam um esforço maior a fim de proporcionarem, jogo após jogo, um espectáculo que vá de encontro à expectativa dos seus exigentes apoiantes.

É preciso que adeptos, sócios e simpatizantes cultivem um pouco mais o espírito de tolerância e exibam mais o Fair Play. Afinal, como se tem dito, ganhar e perder faz parte do desporto.

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