Opinião
Primeiro teste sem comandante
01 de Março, 2010
Dois meses depois do seu último jogo (24 de Janeiro, contra o Ghana para os quartos de final do CAN/2010), a Selecção Nacional volta a estar junta para um outro compromisso. Contudo, com uma diferença. Se no dia 24 de Janeiro tinha um comandante principal, hoje está entregue a um comandante interino, que terá a missão de orientar a equipa no confronto amigável contra a Letónia, na próxima quarta-feira, aproveitando desta forma a primeira "Data FIFA".
A situação em que se encontra a selecção de "Todos Nós", não é novidade. Aliás parece ser uma sina. Aquando do afastamento de Oliveira Gonçalves, os Palancas Negras demoraram uma eternidade para voltarem a ser domadas por um comandante principal. Posteriormente este comandante (Mabi de Almeida) foi igualmente colocado no "desemprego", e ela ficou novamente a aguardar por muito tempo por alguém que a domasse a tempo inteiro.
Hoje vive-se a mesmíssima coisa. Manuel José, o antigo pastor dos Palancas, foi enviado as suas origens, com os bolsos abastados (ao contrário dos seus antecessores), e a selecção volta a ser dirigida por um pastor interino. O técnico luso não foi o único a deixar órfã uma selecção que esteve no CAN realizado no nosso país.
O Mali, o Benin, o Gabão, a Nigéria e, no passado sábado a Costa do Marfim, foram selecções que tiveram o mesmo caminho. Contudo, a excepção dos costa marfinenses, porque apenas sábado decidiram mudar de técnico, todas as outras já encontraram os substitutos dos demitidos. Angola, como sempre, continua a ser excepção. Porquê? Perguntam todos os aficionados do desporto-rei.
A tensão é grande, a pressão, enorme. Estamos todos de acordo com estas premissas. Contudo, a FAF deve ter em conta que há compromissos importantes e não há tempo a perder. Depois dos erros cometidos no passado, urge ser célere na contratação de um novo técnico para os Palancas Negras, de forma a que a planificação da nova campanha e a reconstrução da equipa e de tudo que gire à volta da selecção possam contar com a colaboração de quem a vai dirigir.
Depois do corte com o passado, Justino Fernandes tem de olhar em frente convencido de que a estaca zero é o melhor ponto de partida para a edificação da nova estrutura. Sem passado, sem vícios, sem conotações. Um arranque limpo, para construir de raiz algo que todos conhecemos não estar bem. Temos de olhar em frente e continuar, enquanto houver estrada para andar. O tempo escasseia e não há meios a medir para que se contrate o quanto antes o substituto de Manuel José.
Na próxima quarta-feira a selecção fará o seu primeiro jogo, depois da saída do técnico português. O seu adjunto, Zeca Amaral, terá a responsabilidade de dirigir a selecção diante da Letónia. Resta saber como o grupo reagirá e até que ponto Zeca Amaral terá motivação e capacidade para fazer frente às adversidades que se acumulam no caminho da selecção, sempre que é entregue aos destinos dos interinos.
Policarpo da Rosa

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