Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Prioridades da FAF

25 de Maio, 2019


Depois do anúncio da convocatória esta semana por Srdjan Visiljevic da Selecção Nacional de futebol de honras para a grande montra que o Egipto acolhe entre Junho e Julho próximos, ficou mais do que claro que muitas são, ainda, as arestas que restam por limar por parte da instância que superintende a modalidade no país.

Na verdade quando estamos a menos de um mês para o arranque desta 31ª cimeira africana do desporto-rei, salta à vista o facto de os dinheiros minguarem para a fase de preparação desta. Isto é fácil depreender se tivermos em conta que não faz muito tempo que a Federação Angolana de Futebol (FAF) anunciou, em comunicado tornado público, a desistência, por dificuldades financeiras, da Taça COSAFA, uma competição em que a Selecção Nacional de Sub-23 haveria de representar as honras e cuja estreia no Grupo A estava prevista para hoje, diante da eSwatini (ex-Swazilândia), no Estádio King Zwelithini, na cidade sul-africana de Durban.
É verdade que a desistência de Angola nesta competição em que já subiu ao lugar mais alto do pódio em três ocasiões acaba por beliscar, de certo modo, o bom nome do nosso futebol, porquanto seria mais uma oportunidade de rodar uma equipa nacional.
Como se não bastasse isso, quase às portas da 32ª edição do Campeonato Africano das Nações (CAN), que se vai disputar de 21 de Junho a 19 de Julho, os Palancas Negras só têm confirmado o jogo de preparação com a Guiné-Bissau, previsto para a cidade do Porto, Portugal, onze dias antes do arranque desta grande cimeira do Egipto. O jogo amistoso com os Camarões, que ao que se diz pode acontecer em Espanha, ainda está em negociações e por isso sem certezas sobre a sua efectivação ou não. Na projecção desta 32ª edição da Taça da África das Nações aventou-se, também, a possibilidade de Angola jogar com Moçambique, selecção orientada por Abel Xavier, e com Marrocos, que têm a frente dos seus destinos o francês Hervé Renard, que já treinou os Palancas, mas disso não passou. O que é facto o combinado nacional concentra-se na próxima quarta-feira numa das unidades hoteleiras de Luanda, seguindo um dia depois para Portugal, país onde vai encetar a sua preparação durante 21 dias.
Depois da qualificação do conjunto ao CAN deste ano no Egipto, garantida com a vitória de 1-0 na derradeira jornada do Grupo I da fase qualificativa, a FAF havia preconizado inicialmente realizar o estágio dos Palancas na África Sul, não se sabendo, todavia, as razões da alteração desse país africano para a pátria de Camões. Também é certo e fazendo fé no velho aforismo popular segundo o qual sem ovos não se fazem amoletes, para justificar o facto de que sem recursos não se pode esperar que o combinado angolano faça uma preparação ao nível do perspectivado.
É legítimo pensar que a direcção da FAF tem feito todo o esforço no sentido de garantir uma preparação mais adequada para os Palancas, mas por outro lado é ponto assente que os constrangimentos financeiros associados aos vários compromissos das outras selecções nacionais fazem com que esta defina prioridades. Porém, não nos podemos esquecer que há ainda pela frente outras empreitadas em que o país tem obrigação de se fazer presente como a fase final da 17ª edição do Campeonato do Mundo, no Brasil, depois da qualificação obtida no CAN disputado em Dar-es-Salaam, Tanzânia...

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