Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Problemas de sempre

15 de Fevereiro, 2020
Em tempo de crise e em que se recomenda o aperto dos cintos, o nosso desporto vai-se revelando como um «parente pobre» do sector. E os recorrentes problemas financeiros surgem a estorvar a desenvoltura deste, não poupando, inclusive, o desporto adaptado, que, à partida, mesmo sendo praticado por pessoas confrontadas com deficiência física, em muitos casos sente-se a desatenção a que está votado pelas estruturas “de jure”.
Na verdade é por essas crónicas makas financeiras, que como se apregoam pelos quatro ventos serem os recorrentes problemas de sempre, mais uma vez podemos ver falhar o apuramento do nosso atletismo adaptado aos Jogos Paralímpicos de Tóquio.
Concentrada desde 15 de Janeiro último, a Selecção Nacional que prepara o ‘Meeting Internacional’ de São Paulo, Brasil, prova qualificativa para a grande cimeira que acontece este ano em Tóquio, Japão, o grupo não dispõe de condições financeiras.Quer para assegurar a sua preparação, quer para sua participação no certame, que envolve atletas confrontados com deficiência física que desfilarão nas Terras do Samba.
Ao que se ventila nos meandros da informação, 150 milhões de kwanzas é o valor quantificado para assegurar a preparação da Selecção Nacional adaptada, bem assim como para participar no ‘Meeting’ de São Paulo.E caso os apoios, por parte das estruturas “de direito”, não se venham a efectivar, tal como nos Jogos Paralímpicos de 1996, em Atlanta, Estados Unidos da América, em Tóquio, a presença angolana há-de se resumir ao “wild card” (carta convite).
Nesse caso, a participação angolana resumir-se-ia a um atleta adaptado masculino e outra feminina, o que, para já, seria uma grande decepção, dado que desde 1996 até a presente data o país sempre se fez presente nos Jogos Paralímpicos por mérito próprio.
Como se não bastasse tudo isso, Angola tem tido prestações condignas a nível do desporto adaptado, conquistando medalhas regularmente, daí que a eventual ausência nos Jogos de Tóquio’2020 beliscaria o prestígio do país, que já forjou até campeões mundiais, como José Armando Sayovo, que se tornou numa referência de proa.
Aliás, não faz ainda muito tempo que o próprio José Sayovo manifestou-se descontente, pelo facto da Taça, que visa homenagear a sua figura, não se disputar pelo terceiro ano consecutivo, porque dos corredores do Ministério da Juventude e Desportos (Minjud) veio a resposta de que “não há verbas” para assegurar a sua efectivação. Por essas e outras situações, o empresariado é aqui chamado para acudir a este imbróglio com que se confronta o desporto paralímpico angolano. O próprio Estado e outras entidades singulares, podem juntar-se nesta causa e apoiar, paralelamente, a campanha dos nossos dignos representantes do desporto adaptado. E que haja sensibilidade…


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