Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Progresso sem progresso

01 de Setembro, 2014
Em reiteradas ocasiões já o dissemos nas nossas análises que no mundo da alta competição quando os maus resultados ganham lugar cria-se clima para especulações de toda a sorte, chegando-se mesmo ao extremo de se exercer uma certa pressão quer sobre a direcção do clube quer sobre a equipa técnica. Isto, aliás, não pode ser novidade para ninguém que lida com o futebol. Assim é em toda a parte.Pior é quando a crise se abate contra uma equipa com alguma referência ou com metas competitivas estabelecidas em início de época, que investiu para o efeito. Coincidência ou não, passa-se esta situação menos boa com o Progresso do Sambizanga, porque a equipa ainda não conseguiu reagir ao nível do pretendido pela direcção ao longo das jornadas até aqui disputadas no presente campeonato nacional de futebol da primeira divisão.

É lógico que não é a única equipa nesta condição. Existem outras, algumas até em situação mais crítica. Mas o que se passa no caso particular do clube sambila, é que com a contratação do cabo-verdiano Lúcio Antunes, mediatizada até ao limite, como se estivéssemos perante a descoberta da pólvora, esperava-se muito mais. Não digamos já por uma equipa a nível de campeã, mas pelo menos que fizesse melhor em relação à da edição passada.Seja como for, o Progresso não deixa de ser uma equipa de primeiro plano, pese embora já não exibindo aquele charme que o notabilizou na década de 80 e levou à conquista da Taça de Angola em 2006. Por isso, entendemos que não se justifica que se apresente de forma tão desastrada como está no presente campeonato. Os adeptos estão inconformados e vão pressionando a direcção do clube à tomada de medidas correctivas.

A direcção, por sua vez, embora dando voto de confiança ao técnico, deixa escapar sinais que indicam que ela está dividida, havendo uma ala favorável à manutenção da equipa técnica e outra que defende o inverso. Aliás, estamos todos recordados de em entrevista a este jornal o seu director geral se ter manifestado preocupado com os resultados da equipa.Mas é preciso que algo seja feito, de modo que a equipa desperte para os resultados, mas sem que as medidas passem necessariamente pela"chicotada psicológica", sendo que esta em muitos casos nem produz resultados, para além de que se pode dar o caso de o mal não estar no treinador. Porque a posição classificativa que ocupa não deixa de inspirar alguma cautela.

O campeonato caminha para o fim, havendo ainda tempo de recuperação, sobretudo para uma equipa que não vê o título como meta. É preciso acreditar que a inversão do quadro é possível, mas com estratégias consentâneas, com poucos discursos e mais trabalho. O sexto lugar ainda é possível e o 16º também.O sensato será serenar os ânimos, deixar a equipa trabalhar e ver como se vai comportar neste troço final. A situação não é ainda assim tão alarmante para que se parta já para medidas duras. Os adeptos devem ter confiança na sua equipa e reconhecer que ela possui capacidade de reacção que pode levá-la à recuperação.

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