Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Proteger o emprego

09 de Abril, 2018
As sanções ou as punições têm regra geral a função de prevenir, inibir que outros possam repetir o acto praticado pelo castigado. Porém, há sanções que podem destruir carreiras como a que foi aplicada ao treinador Agostinho Tramagal.
Não queremos defender o acto ou desvalorizar. As regras existem para acautelar uma convivência sá entre as pessoas, mas quem as aplica tem de ter a capacidade de reflectir sobre as suas consequências em particular em situações como estas.
Suspender um treinador é despedi-lo do clube para o qual trabalha.A Federação de Futebol pode e nao fica nada comprometido o seu poder disciplinador se recuar, rever a medida, e salvaguardar o emprego do treinador, que já prestou serviços ao futebol nacional, orientando selecções jovens. É preciso ser razoável, colocar no centro a pessoa humana. Agostinho Tramagal é chefe de familia, tem no futebol o seu ganha-pao, ficar suspenso por um ano pode significar nao apenas \"matar\" o treinador mas também todos os seus dependentes.
A FAF precisa olhar no seu umbigo e ver que noutras ocasiões e em actos idênticos foi razoável na decisão. Recorda-se o caso do treinador do Petro de Luanda, que foi poupado (e bem), pois entendemos que sanções pecuniária sao as melhores sanções para o desporto profissional, salvo situações graves, que neste caso nao seriam apenas do âmbito desportivo mas de outros fóruns. Quem faz o desporto, o futebol em particular, são os treinadores, jogadores e os árbitros. Todos os outros sao auxiliares à actividade. A FAF nao pode nunca colocar de lado esta perspectiva. É alias o cerne da sua existencia.
Agostinho Tramagal é daqueles treinadores que engrossa o quadro dos melhores da sua geração. É preciso protegê-lo, dar-lhe a segunda oportunidade. É isso que representa a redução do castigo do treinador. Esta em jogo a carreira, a familia e sobretudo o emprego e o sustento. Em ultima instancia a humana.

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