Jornal dos Desportos

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Opinio

Quadro das meias

11 de Julho, 2019
Hoje, quando se disputarem os dois últimos jogos dos quartos-de-final, estaremos perto de uma leitura mais pormenorizada, sobre como podem vir a ficar as coisas no XXXII Campeonato Africano das Nações, que decorre no Egipto. À partida, estamos perante um quadro muito aquém daquele que, enquanto especialistas, havíamos traçado de início. As surpresas na prova têm andado na ordem do dia.
Na verdade, depois daquilo que definimos no desfecho da fase de grupos como supremacia magrebina, baseados à leitura feita à luz dos números que nos foram dados a ver no desfecho desta fase, os oitavos-de-final vieram a inverter quase tudo. Pelo caminho ficaram dois totalistas da primeira fase: Marrocos, e por mais que custe a acreditar, Egipto, como anfitrião.
Faz tempo que os Faraós não deixavam o título escapar, sempre que organizassem o certame. No registo histórico, constava apenas uma desfeita, que aconteceu quando, em 1974, organizaram pela segunda vez e viram o título viajar para Kinshasa, pelas mãos do então Zaire, que vivia um ano de ouro, no mesmo em que disputou o Mundial da Alemanha, onde averbou a histórica goleada de 11-0, diante da antiga Jugoslávia.
Portanto, nas outras três edições que acolheu, nomeadamente em 1986 e 2006, foi campeão africano. Mas soe dizer-se, que nem todos os dias são de festa. Quiseram os demónios do futebol, que desta vez a História fosse contada de modo diferente. O que cria algum desconforto em tudo, é o facto de a desqualificação ter ocorrido logo nos oitavos-de-final, e se não bastasse, diante de um adversário que chegou àquele jogo nas condições em que chegou.
A par do Egipto, houve outros “colossos” que arrumaram as malas demasiado cedo. Falámos aqui do caso do Marrocos, Ghana, Camarões, que chegados ao Egipto com rótulo de candidatos declarados, revelaram-se incapazes de fazer frente à fúria de outros concorrentes, muitos dos quais até sem ambições por aí além, jogando apenas para uma classificação, que pudesse honrar as respectivas bandeiras.
De resto, a prova encaminha-se ao fim. Depois da jornada de hoje, restarão em cena apenas quatro selecções, talvez as que tenham sido mais astutas e batalhadoras, e que vão levar a refrega até ao fim, que integram, a bem dizer, o chamado quadro de honra, do qual hão-de sair os finalistas e os intervenientes do jogo de consolação. Estamos expectantes para ver qual será o quadro para as meias-finais, de uma prova bastante surpreendente.








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