Jornal dos Desportos

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Opinio

Quentura na Taa

21 de Julho, 2014
Assistimos a uma encarniçada batalha nos jogos da Taça de Angola. As equipas entregam-se de corpo e alma à conquista de posições honrosas a nível desta competição, sem dúvida a segunda maior do nosso calendário futebolístico a seguir ao campeonato nacional da primeira divisão.

Aliás, há quem a considere mesmo a maior, em face da sua geografia competitiva. Pois, enquanto no campeonato nacional, vezes sem conta, vimos umas províncias mais representadas em relação a outras, e algumas quase condenadas à ausência, já o processo não é o mesmo na Taça de Angola, uma competição com maior representatividade nacional.

Mas, não estamos aqui para incidir a nossa linha discursiva na componente geográfica das competições. Mas sim para fazer uma incursão pelo seu valor e nível competitivo. Dizíamos, pois, que sendo a segunda maior prova, tem todo sentido que as equipas que nela competem invistam e apostem seriamente, quanto mais não seja na oportunidade de salvar a época para quem não esteja bem no Girabola.

Por tudo isso, o que nos deu a ver a eliminatória do fim-de-semana pode ser apenas um cheirinho daquilo que esta prova promete lá mais para a frente, quando se entrar para a fase decisiva. Um aspecto importante, e que merece alusão aqui, é o facto de a partir de agora a segunda vaga para as competições africanas estar atribuída ao vencedor da Taça e não mais ao vice-campeão do campeonato nacional.

Esta alteração veio de algum modo valorizar a competição. A isto podemos juntar o facto de um considerável leque de equipas, todas elas com um percurso glorioso no futebol nacional, não estar a ser bem sucedido no Girabola, onde pelos vistos o Libolo já tomou a dianteira, sentindo apenas uma, não muito forte, ameaça do Kabuscorp do Palanca.

Portanto, está dito que formações como o 1º de Agosto, Petro de Luanda, Interclube, Sagrada Esperança e outras, não vão facilitar na Taça de Angola. Qualquer uma destas equipas encara o torneio com maior sentido de responsabilidade. Mas, as outras equipas, de menor expressão, umas até da segunda divisão, também têm uma palavra a dizer. Tudo é uma questão de oportunidade.

De resto, todas elas têm o mesmo objectivo. Só que umas se sentem mais comprometidas em relação às outras. Mas todas as dúvidas só vão ser dissipadas nas quadras de jogo. As chamadas equipas consagradas, caso queiram encontrar na Taça de Angola a salvação da época, têm de fazê-lo com alguma humildade, sendo que optimismo em demasia configura meio caminho andado para o fracasso.

Na história da Taça de Angola, uma equipa fora da primeira divisão já disputou a final, deixando para trás todos os gigantes, tidos à partida como favoritos. Trata-se do 11 de Novembro do Cuando Cubango, derrotado pelo 1º de Maio na edição de 1983.

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