Jornal dos Desportos

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Opinio

Recuperar o terreno

26 de Abril, 2018
O envolvimento nas competições africanas de clubes terá, de certo modo, atrapalhado o início do 1º de Agosto na presente edição do Girabola. A situação obrigou ao acumular de um elevado número de jogos em atraso, e, em face disso, durante algumas semanas o campeão nacional ocupou posições classificativas incompatíveis ao seu estatuto.
Desengane-se, entretanto, quem ao ver a turma militar na cauda da tabela, tenha associado tal classificação com alguma decadência competitiva. A baixa safra pontual teve apenas a ver com o excesso de jogos em atraso, que não pôde realizar na altura devida em razão da incompatibilidade de calendários.
Mal a equipa logrou a qualificação à fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos, concentrou-se no ajuste do seu calendário, com a realização dos jogos que tem em atraso. E, moralizada com o sucesso obtido na prova continental, não tem facilitado os adversários, ciente que só pontuando consegue sair do fundo da tabela e assumir posições identificadas com a sua grandeza competitiva.
Hoje, realizadas que foram 12 jornadas, já vemos uma equipa a romper fronteiras à conquista do seu território. A equipa às ordens de Zoran Maki tem encetado uma recuperação fantástica, que não só alegra a sua massa associativa, como também dá ânimo e motivação aos atletas para fazerem mais e melhor nos jogos seguintes.
Com o resultado de ontem, diante do Desportivo da Huíla, o campeão já está numa cómoda posição classificativa, embora na mesma longe ainda do Interclube que, tendo se tornado líder desde a primeira hora, dá mostras de não querer ceder este lugar a outro concorrente. Mas já não está mal, convenhamos reconhecer.
Ao que tudo indica, a equipa conjuga todos esforços a ver se fecha a primeira volta no pelotão de frente, e entrar para a segunda com maior determinação na sua forte batalha pela revalidação do título. É certo que, para tanto, terá de suar às estopinhas, em face da presença de outros concorrentes com olhos virados para o mesmo alvo.
Mas o ascendente do 1º de Agosto, pode trazer outro ânimo para a prova. Embora o Kabuscorp do Palanca esteja ai a morder os calcanhares do líder, mas a retracção de outros candidatos como Recreativo do Libolo e Petro de Luanda, sugere, realmente, a intervenção de uma outra força. Com ele no pelotão de frente a prova ganha outro ânimo.
Não é que estejamos indiferentes ao desempenho da Académica do Lobito e do Desportivo da Huíla, que, em boa verdade, têm sabido valorizar o torneio, mas, quando se trata de uma luta de lobos é mesmo uma luta de lobos. O interesse da assistência é maior, por razões que a lógica desaconselha explicar.
Em suma, tudo indica que a mornez a que estamos a assistir nesta primeira volta do campeonato será substituída na outra fase por uma luta sem quartel. Pena é o facto de até lá o campeão voltar a intervir na competição africana, situação que pode voltar a atrapalhar a sua competição interna e facilitar os outros concorrentes.

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